Pílula anticoncepcional reduz a incidência de câncer

pilulaSegundo um novo estudo publicado na revista científica Expert Opinion (setembro 2008), o uso de pílulas anticoncepcionais por longos períodos diminui o risco de tumores de ovário, do endométrio e colo-retal.

O estudo foi baseado na revisão de aproximadamente 100 trabalhos científicos e concluiu também que a pílula anticoncepcional pode ser utilizada no tratamento da endometriose, da menorragia (fluxo menstrual intenso) e de miomas uterinos.

Além de inibir a ovulação de forma eficaz e segura, existem evidências de que as pílulas anticoncepcionais reduzem o risco de câncer ovariano, endometrial e colo-retal. “O estudo revelou que as mulheres que utilizam os contraceptivos orais durante um longo período estão menos propensas a desenvolver câncer do ovário do que aquelas que não fazem uso deste método contraceptivo”, afirma José Bento de Souza, ginecologista e obstetra dos hospitais Albert Einstein e São Luiz.

Estudos epidemiológicos também demonstram que a diminuição do risco de câncer do endométrio está relacionada à duração do uso da pílula anticoncepcional. “Com um ano de uso, o risco é reduzido em 20%, com dois anos em 40% e com quatro ou mais anos, o risco é reduzido em até 60%”, explica José Bento. Segundo o médico, o trabalho concluiu que o efeito protetor dos anticoncepcionais em relação ao câncer ovariano e endometrial persiste por pelo menos 15 anos após a descontinuação do contraceptivo oral.

Segundo o ginecologista Jorge M. Haddad, chefe do Setor de Uroginecologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a proteção contra o câncer de ovário se deve ao fato do contraceptivo oral interromper a função ovariana e, provavelmente, a não-ovulação diminuiria a chance do aparecimento deste tumor. “Acredita-se que ovulações seguidas possam acarretar alterações repetitivas na superfície ovariana que poderiam agir como fator de risco para o desenvolvimento do câncer de ovário. Quanto ao câncer de endométrio, a pílula anticoncepcional combinada com progestógeno parece agir diminuindo a proliferação do endométrio prevenindo, assim, a hiperplasia ou o câncer endometrial”, explica o especialista.

“O grande benefício das novas pílulas anticoncepcionais combinadas são as baixas dosagens hormonais que possibilitam maior tolerabilidade devido a efeitos colaterais menos intensos que, muitas vezes, eram os responsáveis pela não aderência a este método contraceptivo”, informa Jorge Haddad. O médico ressalta que apesar das baixas dosagens dos novos anticoncepcionais, a eficácia contraceptiva é mantida. “Além disso, as pacientes que necessitam deste tipo de medicação para o tratamento de afecções como endometriose, mioma, adenomiose ou sintomas indesejáveis como cólicas ou alterações menstruais intensas podem ser tratadas com o contraceptivo oral que apresenta efeitos colaterais menos intensos”, acrescenta Haddad.

Mais proteçãopilula-21
O uso da pílula anticoncepcional também está associado à menor incidência de endometriose nas mulheres. “Provavelmente este efeito protetor esteja limitado com o uso freqüente ou recente do anticoncepcional. Mas, considerando a mulher moderna, jovem, que estuda, trabalha e não deseja ter filhos até os 30 anos ou mais, ou simplesmente não quer ter filhos, justifica-se plenamente o uso da pílula nessas mulheres, primeiro como contraceptivo e, entre outras vantagens comprovadas, para a proteção contra a endometriose, que é uma doença grave e causa de dor e de infertilidade feminina”, afirma Rosires Pereira de Andrade, ginecologista e obstetra, professor titular de Reprodução Humana da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e diretor do Centro de Estudos e Pesquisas Médicas CEPEME-CERHFAC, de Curitiba.

Mulheres que usam pílulas anticoncepcionais têm proteção contra infecções nas tubas uterinas (antes chamadas trompas) e doença inflamatória pélvica (inflamação na pelve feminina), outra causa freqüente de dor abdominal e de infertilidade feminina. “Essa é mais uma razão para o uso das pílulas por jovens mulheres que têm vida sexual e não querem engravidar. Desse modo, protegem-se contra uma gravidez não-planejada e contra infecção das tubas, que no Brasil é a causa mais freqüente de infertilidade na mulher”, explica.

O especialista lembra que existem estudos que mostram que mulheres que têm ovários policísticos, que são obesas e apresentam resistência à insulina (alteração hormonal relacionada ao diabetes) e que usaram pílulas anticoncepcionais de baixa dose durante cerca de 10 anos, quando comparadas às mulheres não usuárias de pílula, tiveram melhora nos seus níveis de colesterol e de glicose no sangue, além de perderem peso. “Para a saúde dessas mulheres, essa melhora foi fundamental”, destaca Andrade.

Segundo o médico, as pílulas de baixa dose são efetivas para reduzir o fluxo menstrual das mulheres e também reduzem a prevalência e a severidade da dismenorréia (cólica menstrual que podem ser leve, moderada e severa, e que compromete sobremaneira a vida emocional, profissional de inúmeras mulheres). “Desde o surgimento da primeira pílula, a indústria farmacêutica pesquisou e desenvolveu novos hormônios de baixa dosagem com benefícios adicionais”, afirma Andrade. Segundo ele, ao prescrever um contraceptivo oral, o médico deve observar se a mulher apresenta facilidade de aumento de peso, retenção líquida, pele oleosa, acne e sintomas pré-menstruais, pois algumas combinações de hormônios oferecem benefícios adicionais ao bem-estar da mulher.

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