Mulheres devem se vacinar para evitar doenças na gestação

9_monthsPor entender que boa parte das mulheres norte-americanas em idade fértil não está atenta à necessidade de tomar vacinas para manter a saúde e evitar riscos à gravidez, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva publicou em novembro relatório no seu jornal oficial, o “Fertility and Sterility”, recomendando um esquema de vacinação às mulheres em tratamento de infertilidade.

O relatório considerou pesquisa de 2003, encabeçada pela epidemiologista Stephanie J. Schrag, com 1.063 médicos do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, na qual menos de 60% dos entrevistados pediam o histórico de vacinação às suas pacientes e só 10% prescreviam as vacinas comumente indicadas para adultos.

A entidade frisou que a imunização deve ser feita preferencialmente antes da concepção, porque as grávidas não podem tomar vacinas que contêm vírus vivos, como a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e contra varicela e febre amarela.

Recomendou ainda aos médicos investigarem o histórico das pacientes e, quando necessário, prescreverem as vacinas preconizadas pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças: a tríplice viral, a tríplice bacteriana acelular (tétano, difteria e coqueluche) e as vacinas contra gripe, varicela, pneumococos, hepatites A e B e meningococo.

A pediatra Isabella Balllalai, vice-presidente da SBIm – Sociedade Brasileira de Imunizações, afirmou que a entidade sempre se preocupou com a vacinação das mulheres e gestantes. “Entendemos que, vacinando a mulher antes da gestação, protegemos também o feto de doenças graves, como a rubéola congênita, que pode ter sérias conseqüências, causar malformações e até a morte fetal”, explica.

A médica lembra ainda que, após o parto, a mãe continua sendo fonte de transmissão para o bebê. “Situações, como a que ocorreu recentemente quando foi ao óbito um bebê de dois meses por coqueluche transmitida pela própria mãe, podem ser evitadas com a vacinação dos pais e de quem mais participar dos cuidados ao bebê”, revela.

O relatório norte-americano ressalta que a imunização antes e durante a gravidez protege a mulher contra doenças potencialmente graves, conferindo ainda resistência a infecções intra-uterinas e imunização passiva ao recém-nascido. A transferência de anticorpos maternos para o feto ocorre ao longo de toda a gestação, atingindo seu ápice nas quatro e seis semanas finais.

A pediatra Lucia Bricks, Doutora em Medicina pela USP e gerente médica da Sanofi Pasteur, divisão vacinas da Sanofi-Aventis, ressalta que os anticorpos da mãe vacinada, antes ou durante a gestação, também são transmitidos pelo leite materno. “O ideal é que a mulher se vacine, amamente o bebê e mantenha em dia o calendário vacinal da criança, conforme a orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria”, diz a médica.

Benéfica para todas as crianças, a amamentação é essencial aos prematuros. Como nascem antes do tempo, esses bebês têm menores chances de receber os anticorpos da mãe, durante a gestação, que podem ser recebidos pela amamentação.

A ginecologista Rosa Neme, Doutora em Ginecologia pela USP e especialista em endometriose (a principal doença causadora de infertilidade feminina) explica que “antes de submeter as mulheres a tratamentos para aumentar a fertilidade, é muito importante avaliar seu histórico clinico e de vacinação”.

Ela afirma que costuma incluir solicitar testes sorológicos para hepatite B e para rubéola, recomendando as vacinas para as mulheres que não têm imunidade contra essas doenças. A dra Rosa afirma que “Normalmente, os ginecologistas não indicam vacinas e só solicitam testes sorológicos quando a mulher já está grávida e existe contra-indicação para algumas vacinas, como a de rubéola, por exemplo”.

O médico Afonso Henriques Alves dos Santos, membro da Associação Médica de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro, reconhece não ser praxe o ginecologista solicitar o histórico de vacinação de suas pacientes. “O ginecologista não é um vacinador. Eu me considero uma exceção”, pondera. Ele acredita que o advento da vacina contra o HPV está mudando esta situação, mas os médicos ainda carecem de informação sobre imunização. “Se houver um movimento forte de informação, este panorama poderá se reverter”, observa.

A Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva argumenta que muitos médicos relutam em vacinar as grávidas porque abortos espontâneos e anomalias congênitas podem ser erroneamente atribuídos à imunização. Para não suscitar essa suspeita, a SBIm recomenda a vacinação das futuras mamães no segundo trimestre gestação, quando o risco de aborto espontâneo é menor.

Os autores norte-americanos afirmam ainda que “a imunização na gravidez deve ser indicada quando os benefícios claramente superarem os riscos”. Eles ponderam que certas circunstâncias podem influenciar a indicação da vacinação da paciente como o serviço militar, viagem a áreas de alta prevalência de doenças, profissões perigosas e a existência de comprometimento do sistema imunológico e doenças crônicas.

A mulher deve ser imunizada prioritariamente antes da gestação, porque são poucas as vacinas recomendadas durante a gravidez – contra difteria, tétano e gripe. “Se houver necessidade, existem vacinas que podem ser administradas por não conterem vírus vivos”, ensina Lucia Bricks. Essas vacinas são contra a hepatite A, hepatite B, poliomielite inativada, raiva, IPV, pneumocócica 23-valente, meningocócica conjugada ou polissacarídica e coqueluche acelular.

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