Pesquisadores descobrem medicamento que pode inibir câncer de cólon em ratos

Pesquisadores da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, descobriram que uma droga que está sendo testada para tratar uma variedade de tipos de câncer em humanos inibiu, significativamente, o desenvolvimento de câncer de cólon em camundongos.

Como a droga parece ter efeitos colaterais mínimos, pode representar um tratamento quimiopreventivo eficaz em pessoas com alto risco de desenvolver câncer de cólon, dizem os pesquisadores.

Em seu estudo, publicado na edição de 15 de fevereiro do jornal Cancer Research, os pesquisadores descobriram que o uso do medicamento enzastaurina reduziu, de forma significativa, o desenvolvimento de tumores cancerosos no cólon dos camundongos.

Além disso, os tumores que se desenvolveram nos animais, de qualquer forma, eram de menor grau, o que significa que eram menos avançados e menos agressivos do que os tumores observados em animais que não foram tratados com o medicamento.

“Há uma necessidade de um agente com uma capacidade comprovada de reduzir os riscos de câncer de cólon e esse estudo sugere que o medicamento enzastaurina pode ser especificamente eficaz”, diz a pesquisadora sênior do estudo Nicole Murray (Ph.D.), do Departamento de Biologia do Câncer da Clínica Mayo, de Jacksonville.

As pessoas com alto risco de câncer de cólon (uma porção do intestino grosso) desenvolvem, frequentemente, numerosos pólipos pré-cancerosos no cólon, que precisam ser removidos periodicamente, durante uma colonoscopia, diz a pesquisadora.

Os laboratórios da pesquisadora e de seu colaborador e co-autor do estudo Alan Fields (Ph.D.), chefe do Departamento de Biologia do Câncer, se concentram na caracterização dos genes envolvidos em diferentes estágios da carcinogênese (formação do câncer) do cólon. Eles têm concentrado sua atenção na família de enzimas da proteína cinase C (PKC), como protagonistas importantes no desenvolvimento e progressão do câncer, mas estão levando anos para entender os diferentes papéis de cada tipo de molécula ou “isozima” PKC.

“Todas as isozimas PKC agem, essencialmente, da mesma forma. Elas adicionam grupos fosfatos às proteínas para alterar a função delas. Mas, dentro das células, verificamos que cada isozima PKC representa um papel diferente”, diz a pesquisadora.

Ao usar camundongos transgênicos, nos quais genes diferentes da PKC foram seletivamente eliminados ou silenciados, os pesquisadores determinaram os papéis essenciais de duas das principais isozimas. Na edição de 15 de janeiro do jornal Câncer Research, eles relataram que a PKCß (PKC-beta) é necessária para a iniciação do câncer de cólon em camundongos expostos a carcinógenos. “Esses camundongos desenvolveram tumores no cólon similares aos tumores encontrados em humanos, o que não aconteceu com os animais sem um gene a PKCß”, conta a pesquisadora.

Nesse estudo, os pesquisadores demonstraram que uma isozima PKC diferente, conhecida como PKCi/l (PKC iota-lambda), está envolvida na progressão do câncer de cólon. Se o gene PKCi/l for eliminado em modelos animais que imitam o tipo de câncer observado em pessoas com uma forma herdada de câncer de cólon, o câncer não progride na mesma taxa de velocidade, diz a pesquisadora. “Mas, nesses mesmos camundongos, se eliminamos o gene PKCß, nenhum efeito é produzido”, ela afirma.

“Isso nos indica que a expressão excessiva do PKCß e do PKCi/l exerce papéis diferentes, não sobrepostos, na carcinogênese do cólon, conspirando para provocar a iniciação e a progressão da carcinogênese do cólon, respectivamente”, declara a médica.

As descobertas sugerem que ataques a essas isozimas PKC diferentes podem trazer benefícios distintos ao tratamento do câncer. Combater o PKCß em células do cólon pode ajudar a conter o desenvolvimento inicial do câncer; e inibir o PKCi/l pode ajudar a deter a progressão do câncer que já se desenvolveu, ela diz.

No estudo atual, a equipe de pesquisadores testou o enzastaurina, um medicamento oral projetado especialmente para suprimir a sinalização ao longo da via do PKCß. A droga está agora passando por estudos clínicos para o tratamento de linfomas de células B e de gliomas cerebrais de alto grau, entre outros tipos de câncer.

Os pesquisadores ministraram, diariamente, o medicamento a um grupo de camundongos e, então, expuseram esse grupo, bem como os camundongos de um grupo de controle, a carcinógenos que causam tumores no cólon. Depois de 22 semanas, 80% dos camundongos do grupo de controle desenvolveram tumores do cólon, enquanto apenas 50% dos animais do grupo tratado com a droga desenvolveu tumores – e, nesse caso, os tumores não estavam tão avançados, como no caso do grupo de controle, relata a pesquisadora.

O medicamento pôde ser testado, como agente de quimioprevenção do câncer de cólon, de uma maneira relativamente simples, explica a médica. Como os pólipos pré-cancerosos de cólon podem ser observados durante uma colonoscopia, foi possível verificar se uma droga que atacasse o PKCß reduziria a formação de pólipos, com o tempo, em pessoas que estão usando esse medicamento, ela diz.

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