Psicoterapia gratuita para pessoas de luto

O Programa de Intervenção e Estudos sobre Perda e Luto da Unidade de Intervenção à Família e Comunidade (UNIFAC) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) está com vagas abertas para sessões terapêuticas, por meio de psicoterapia em grupo, para viúvas e viúvos, irmãos, pais e filhos enlutados.

Também há vagas para psicoterapia com famílias enlutadas e familiares em processo de cuidados paliativos. Os encontros acontecem num período de seis a oito meses, com duração de uma hora por semana, com início em novembro.

O serviço é gratuito e aberto a toda a comunidade. É indispensável agendar horário para uma entrevista inicial pelo telefone (11) 5084-4698, de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, com Cristina, ou por e-mail: familiaunifesp@hotmail.com

A UNIFAC está localizada na Rua Leandro Dupret, 166, na Vila Clementino, próximo ao Metrô Santa Cruz.

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Estudo aponta a mulher que pode desenvolver hipertensão gestacional

A mulher do novo milênio tem prioridades bem diferentes da mulher do passado. Primeiro se posiciona no mercado de trabalho para depois engravidar, na maioria das vezes, tardiamente, aumentando as chances da manifestação de alguns problemas de saúde.

Porém, as mulheres contam com recursos avançados e seguros que podem determinar a predisposição da hipertensão gestacional e com isso, preveni-la de forma eficaz, resultando em segura gravidez.

Isso tudo é parte da conclusão de uma pesquisa realizada no Hospital e Maternidade Santa Joana, a partir de um levantamento inédito com 35 gestantes com pré-eclâmpsia.

A pesquisa detectou marcadores bioquímicos maternos, encontrados na urina e no sangue, que podem prever se o quadro hipertensivo gestacional poderá evoluir para tal doença, cuja manifestação é silenciosa. Trata-se de uma das mais comuns intercorrências clínicas do período, que ocorre em cerca de 5 a 7% das gestações e contribui para a morbidade materna e fetal que quando não tratada leva a morte cerca de 20% das mulheres, segundo dados do DATASUS.

O objetivo do trabalho foi avaliar a associação de marcadores bioquímicos com qualquer estado clínico e funcional de pacientes com pré-eclâmpsia como forma de antever a doença em futuros casos. “Tal descoberta permite ao médico mudar o curso da gestação e adotar cuidados especiais como exames subsidiários da medicina fetal como restrição rígida para o controle de peso, dieta sem sal durante a gravidez, afastamento do trabalho nas últimas 6 semanas de gestação, exercícios adequados e maior atenção nutricional que possibilita evolução saudável da gravidez até o nascimento do bebê”, explica o ginecologista e obstetra Alberto D´Auria.

“É importante considerar que 75% das mortes por hipertensão arterial na gravidez têm como causa a pré-eclampsia e a eclampsia. O maior risco de haver um agravamento da hipertensão com eliminação de proteína na urina que comumente acontece à partir da 20 semana. O fato de antever este tipo de ocorrência, faz muita diferença na adoção de uma conduta médica preventiva, segura e eficaz”, diz o especialista.

“Ainda não sabemos qual é o motivo do surgimento da pré-eclâmpsia, mas o futuro da medicina e das grávidas do terceiro milênio está amparado em marcadores. Com eles podemos prever complicações de saúde da mãe e do bebê muito antes que se tornem uma realidade. É o melhor caminho para garantir uma gestação tranqüila e segura”, completa o D´Auria.

O trabalho foi realizado com gestantes com pré-eclâmpsia de setembro de 2007 a agosto de 2008. No momento de admissão foram colhidas amostras de urina para medir as concentrações de 8 – isoprostane (prostaglandina), do fator de crescimento placentário (PlGF) e de amostras de plasma para análise bioquímica. A pré-eclâmpsia é definida como um aumento da pressão arterial após 20 semanas de gestação com presença de proteínas na urina. O quadro pode ser transitório, quando há a ausência das proteínas na urina e a pré-eclâmpsia passa a ser considerada com a manifestação do aumento da pressão arterial, acompanhada de sintomas clínicos (cefaléia, dor abdominal, escotomas, baixa de plaquetas ou de valores elevados de enzimas do fígado). Os pacientes foram estudados aleatoriamente em dois grupos de acordo com a duração da gravidez, com menos e mais de 34 semanas de gestação.

“A mulher do terceiro milênio prioriza outras necessidades como realização profissional e estabilidade financeira antes de engravidar e se programa para que sua primeira gestação aconteça com idade média de 35 anos.

A maior incidência da doença acontece em mulheres que engravidam com idade mais avançada, além de histórico familiar de diabetes e pressão alta. Porém, as mulheres que têm pressão normal e sem histórico também podem ser acometidas”, esclarece D´Auria..

É importante que toda gestante faça o pré-natal completo e que o especialista possa acompanhar de perto o caso de cada paciente e indicar a realização do exame para diagnóstico precoce, caso necessário. A detecção de qualquer risco implicaria atenção especializada, com exame/avaliação e seguimentos adicionais e, se necessário, a referência da atenção básica para um serviço de nível mais complexo.

Importante destacar que o risco e a necessidade de referência para centros mais especializados deverão ser constantemente avaliados. Na ausência de risco, o acompanhamento pré-natal deverá seguir as recomendações para a atenção básica na assistência pré-natal.

O que é pré-elâmpsia?
Pré-eclâmpsia é um problema grave, marcado pela elevação da pressão arterial, que pode acontecer a qualquer momento da segunda metade da gravidez, ou seja, a partir de 20 semanas. Os especialistas acreditam que seja causado por deficiências na placenta, o órgão que nutre o bebê dentro do útero, além de fatores genéticos , dietéticos ou imunológicos. Se a pré-eclâmpsia for detectada, a gestante precisará medir a pressão arterial com frequência e fazer exames de urina, para verificar a presença de proteína e de sangue. Outros exames podem ser realizados para avaliar outros órgãos, como o funcionamento do fígado.

Se a pressão subir muito, é recomendável a internação e administração de remédios para controlar a pressão (que não prejudicarão o bebê). O bebê também será monitorado, e a qualquer sinal de que ele não esteja crescendo como deveria ou que o volume de líquido amniótico esteja diminuindo, ou ainda que o estado da mãe piore, o médico optará pela realização do parto. Após o nascimento do bebê o quadro de saúde da mulher é naturalmente normalizado.

Estudo para tratamento da gripe H1N1

O Núcleo de Pesquisa em Geriatria Clínica e Prevenção (NUPEQ) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) abriu no dia 14 de setembro, vagas para voluntários que possam participar de Estudo Clínico aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade, para tratamento da gripe H1N1.

Os voluntários receberão medicação e serão acompanhados por uma equipe médica especializada durante todo o tratamento. Para participar, o candidato deve apresentar os seguintes sintomas e perfil:

– Febre igual ou acima de 38°C

– Início súbito

– Mal-estar

– Dores musculares pelo corpo

– Tosse

– Início dos sintomas nas últimas 48 horas

– Idade igual ou acima de 18 anos

Os interessados devem entrar em contato pelo telefone (11) 5579-0400, das 8h30 às 12h30, de segunda à sexta-feira.

Tratamento gratuito para mioma

O Departamento de Ginecologia da Unifesp está selecionando pacientes com mioma para participarem de um estudo sobre um novo tratamento medicamentoso. As voluntárias devem ter idade acima de 18 anos, não ser fumante e apresentar sangramento menstrual excessivo decorrente do problema.

No primeiro mês do tratamento, a paciente precisa comparecer três vezes em consulta médica e, nos meses seguintes, somente uma vez.

Dois endereços e telefones foram disponibilizados, das 9h às 15h, para atender as mulheres interessadas em participar da pesquisa. São eles:

Rua dos Otonis, 567, telefone: (11) 5539-5158, com Fátima.

Rua dos Otonis, 601, telefone (11) 5573-9228, com Carolina.

Indicações para parto normal e cesariana

grávidaEssa dúvida é bastante comum para a maioria das mulheres grávidas: qual é o melhor parto? Atualmente, quase 85% dos partos na rede privada e 31% da rede pública são cesarianas. Mas quais são os benefícios e quando são indicados esses tipos de parto?

Ainda hoje, algumas mulheres optam pelo parto natural – que é basicamente quando o médico simplesmente acompanha o parto, sem intervenções – como anestesias, induções ou rompimento artificial da bolsa. Neste caso, o ritmo e o tempo da mulher e do bebê são respeitados e, para alívio das dores, são utilizadas técnicas de respiração e relaxamento. A principal desvantagem desse processo é que pode levar várias horas.

Por outro lado, o parto normal pode ter intervenções do obstetra, acelerando o trabalho de parto e aliviando as dores com anestesia, mas sem prejudicar a mãe, o bebê ou a evolução do trabalho de parto. “A vantagem em relação à cesárea é a recuperação pós-parto é mais rápida”, explica o Dr. Edílson Ogeda, ginecologista e obstetra do Hospital Samaritano. Além disso, há menor chance de infecções e hemorragias.

Tanto o parto normal sem anestesia quanto o natural pode ser realizado na posição em que a mulher julgar mais confortável: em pé, de cócoras ou até mesmo dentro d’água.

Quando optar pela cesárea?
A cesárea deve ser uma opção sempre que o risco do parto vaginal for maior do que pela cesariana. “Isso pode ocorrer em situações clínicas ou obstétricas que aumentem o risco para a mãe ou bebê, como por exemplo, em caso de desproporção do tamanho do bebê em relação à pelve, infecções, gestantes diabéticas, hipertensas ou posição desfavorável do bebê”, diz o Dr. Ogeda.

Os médicos também podem optar pelo procedimento cirúrgico quando um trabalho de parto não progredir naturalmente. Nestes casos, as possibilidades de complicações são maiores, por se tratar de uma cirurgia de emergência.

A mulher normalmente recebe anestesia intradural – algumas vezes até geral. Em seguida, o médico fará um corte de aproximadamente 10 centímetros acima dos pêlos pubianos, por onde retirará o bebê e removerá a placenta. “Neste caso, a recuperação da mulher é mais lenta e a dor deve ser controlada com analgésicos. Além disso, há maior risco de infecção e de o bebê apresentar problemas transitórios”, conta o dr. Ogeda.

Importância do pré-natal
Um bom acompanhamento pré-natal permite que o médico saiba de antemão possíveis problemas que podem obrigar à realização de uma cesariana. Alguns exemplos são quando a mãe sofre de pressão alta ou se é diabética. “Vale frisar que o melhor parto é aquele que traz o maior benefício para a mãe e para o bebê”, diz o dr. Edílson Ogeda.

Desmistificando o orgasmo

toqueDia 31 de julho é o dia mundial do orgasmo. A data foi criada por sex shops inglesas. Vale lembrar que as mesmas chegaram a uma constatação triste: após encomendarem uma pesquisa, descobriram que cerca de 80% das mulheres inglesas nunca chegaram ao orgasmo.

Infelizmente, reclamações como falta de desejo sexual, falta de excitação, dor durante a penetração e dificuldade em chegar ao clímax são supernormais.

Vale lembrar que cada um é responsável pelo próprio prazer sexual, não é mais aceitável culpar a parceria. Temos que conhecer o nosso corpo, como ele reage aos estímulos e passar isso ao parceiro. Culpá-lo, definitivamente não resolve o problema.

Saiba o que é verdade e o que não é sobre orgasmo, segundo informações de Sylvia Faria Marzano, médica urologista e terapeuta sexual. Ela também é membro da Sociedade Brasileira de Urologia, pós-graduada em terapia sexual pela Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana e Faculdade de Medicina do ABC-SP e diretora geral do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática (ISEXP).

Quem estimula é o responsável pelo orgasmo

Falso. Cada pessoa é responsável pelo seu próprio orgasmo. Precisa saber o que mais a excita e quais os pontos de seu corpo são responsáveis pela excitação e assim passar essa informação ao outro. Por isso é preciso buscar a parceria na relação sexual para a troca desta energia.

O orgasmo é sempre muito intenso
Falso. Muitas pessoas acham que ter orgasmo é ver estrelas, entrar numa outra dimensão cósmica, uma expressão violenta de sensações, euforia e desfalecimento. As sensações do orgasmo são variáveis de pessoa para pessoa. O orgasmo é o resultado de uma excitação crescente, tendo como resultado o clímax, onde está inserido entrega, sentimento e sensações. As sensações do orgasmo sofrem influência de fatores intrínsecos (emoções, sentimentos, orgasmos anteriores registrados na memória) e extrínsecos (ambiente, tempo e parceria sexual).

Receita de bolo para chegar até lá
Falso.- É comum a procura pela mulher de uma solução rápida, eficaz e de sucesso garantido na busca do orgasmo, como uma receita pré-definida para todas as mulheres. O orgasmo é individual e a receita está na pessoa, na sua entrega, na cumplicidade, tendo como resultado uma excitação crescente até o máximo do prazer sexual.

O tempo para o orgasmo masculino e femininos são iguais
Falso. De maneira geral, a excitação crescente até o orgasmo na mulher é mais lento. A mulher, na sua resposta sexual tem mudanças anatômicas na sua genitália para que possa ser penetrada sem dor. Desta forma, os tempos de orgasmo são diferentes. Muitas vezes em um encontro casual, a mulher pode ter um orgasmo dentro de poucos minutos, pelo fator fantasia do momento.

O orgasmo masculino é a ejaculação
Falso. O orgasmo e a ejaculação são respostas fisiológicas diferentes no homem. O orgasmo é uma resposta sensorial, enquanto que a ejaculação é a eliminação do esperma. No homem, geralmente eles acontecem simultaneamente.

Preliminares mais longas, orgasmos mais intensos
Falso. As preliminares são importantes para que a mulher chegue ao orgasmo, porém a intensidade do orgasmo depende exclusivamente da excitação, da entrega total ao momento erótico e de suas emoções.

Ponto G masculino e feminino
Este conceito é muito questionado. Não há comprovação científica que ateste a existência do ponto G masculino ou feminino mas sim regiões que ao serem estimuladas favorecem o orgasmo. É importante saber que existem zonas erógenas, tanto na região genital como em todo corpo que proporcionam excitação, variadas de pessoa para pessoa. Para os homens as carícias na região perineal e anal podem estimular a próstata e favorecer a ereção. Para as mulheres o canal vaginal possui uma plataforma orgástica, região mais sensível ao toque logo nos primeiros centímetros, que participa efetivamente na elevação da excitação.

Todo ser humano é equipado biologicamente para ter um orgasmo
Certo. Salvo doenças que comprometem a resposta sexual, o nosso corpo está apto para o sexo e consequentemente para o orgasmo. O orgasmo depende mais de fatores emocionais, que promovem as mudanças físicas durante o prazer maior. Na dificuldade ou ausência do orgasmo, é necessário a busca de tratamento por um especialista – terapeuta sexual – para investigar as possíveis causas, físicas ou psicológicas.

Há mulheres que ejaculam
A ciência ainda não comprovou nada a respeito. O que acontece em alguns casos é que há algumas mulheres que se lubrificam mais do que as outras, pela atuação de glândulas no canal vaginal. Mas estas glândulas não são como a próstata e o canal seminal masculino que podem armazenar um liquido para depois jorrá-lo em determinado momento. Na mulher, estas glândulas assim que produzem o liquido para lubrificação, o solta, e isso é feito durante toda a relação.

Orgasmo anal
O ânus não é preparado – anatomicamente falando –  para produzir um orgasmo. Mas orgasmo é um só e ele não é separado em vaginal, clitoriano, peniano. Ele é uma sensação do corpo inteiro. O que muda são os pontos estimulados para a excitação.

Uma mulher quando transa com outra tem orgasmos infinitos
Quando uma mulher transa com uma outra não significa que elas terão orgasmos infinitos até que se cansem fisicamente. A mulher, assim como o homem, também tem um período chamado de resolução, ou seja, o período em que o corpo recomeça todo o processo de excitação, realização e novamente o clímax. A diferença entre o homem e a mulher é que ela continua, depois de um orgasmo, em um nível de excitação e ele não.

Orgasmos múltiplos
Eles existem e dependem do nível de estimulação durante a relação sexual.

Metade das mulheres precisam de estimulação clitoriana para ter um orgasmo
Isso é perfeitamente normal e não se trata de um distúrbio. O orgasmo não depende da penetração para acontecer.

Cólica menstrual pode ser princípio de endometriose

Queixas de cólicas são relativamente comuns nos consultórios ginecológicos e facilmente resolvidas, na maioria das vezes, com a indicação de anti-espasmódicos e anti-inflamatórios. Entretanto, de acordo com Eduardo Schor, ginecologista e coordenador do Ambulatório de Endometriose e Dor Pélvica da Unifesp, os profissionais não dão a devida importância às cólicas progressivas das mulheres, levando, geralmente, ao diagnóstico tardio da endometriose, um problema que afeta 10% a 15% das brasileiras – cerca de seis milhões de mulheres. “Alguns trabalhos mostram que os primeiros sintomas ocorrem entre os 16 e 20 anos de idade, mas o diagnóstico somente é fechado oito ou dez anos depois”, afirma. “Nesses casos, apenas 40% delas obtêm sucesso com o tratamento clínico, além de dificultar uma gravidez natural ou, até mesmo, levar a infertilidade. Os outros 60% restantes acabam necessitando de cirurgia que, geralmente, são mutiladoras e a mulher pode perder ovários, parte do intestino ou trompas”.

A endometriose é uma doença caracterizada pela presença do endométrio – tecido que reveste o interior do útero – fora da cavidade uterina. Esse tecido pode se alojar em outras partes do útero ou em outros órgãos da pelve como trompas, ovários, intestinos, bexiga.

Schor explica que, quando a doença é diagnosticada precocemente, em cerca de 90% dos casos é possível tratar clinicamente, suspendendo a menstruação com o uso contínuo de pílulas anticoncepcionais, dispositivos intra-uterinos (DIU) com hormônios ou injeções. “Na fase inicial, uma gravidez também pode funcionar como tratamento, mas como as mulheres estão engravidando cada vez mais tarde por conta do seu papel no mercado de trabalho, a incidência e a agressividade da doença só vem aumentando”, diz. “Por isso que a endometriose é chamada de Doença da Mulher Moderna”.

Para Schor, que há alguns anos uniu o trabalho da Unifesp de prevenção e detecção precoce com o da Sociedade Brasileira de Endometriose, é preciso chamar a atenção não apenas dos médicos, mas também das mulheres mais jovens sobre o problema: cólicas menstruais fortes não são normais.

Qualidade de vida e sexual prejudicadas
Além das dores que, em alguns casos pode até provocar alterações posturais, a qualidade de vida e a satisfação sexual são muito prejudicadas. Uma pesquisa apresentada como dissertação de mestrado na Unifesp pela ginecologista Tatiana Maria Trípoli, com 200 mulheres com e sem endometriose, aponta que 16% das que sofrem de endometriose classificam sua qualidade de vida como ruim ou muito ruim contra nenhum apontamento entre as mulheres sem a doença.

Atingir um orgasmo também parece uma tarefa impossível para 24% delas, contra apenas 6% entre as mulheres sadias. Veja, abaixo, um resumo dos resultados da pesquisa que comparou as mulheres com endometriose e sem endometriose (grupo controle):

>> 22% das mulheres com endometriose sempre têm desinteresse por sexo contra 4% das mulheres sadias;
>> 36% delas também ficam mais tensas e ansiosas quando o parceiro quer fazer sexo e 30% tem menos que duas relações sexuais por semana contra 10% e 12%, respectivamente, entre aquelas que não apresentam a doença;
>> 33% das com endometriose acham que a dor física as impedem extremamente de fazer o que precisam e, 45%, necessitam muito do tratamento médico para conseguirem fazer as atividades diárias contra apenas 10% e 12%, respectivamente, no grupo controle;
>> 25% dessas mulheres afirmam não terem – ou terem muito pouca – energia para o dia a dia e 30% estão insatisfeitas com a capacidade de trabalhar contra 10% e 8%, respectivamente, entre as sadias;
>> 40% das que sofrem com a doença estão insatisfeitas com a vida sexual e, 30%, também têm, frequentemente, sentimentos negativos (mau-humor, desespero, ansiedade e depressão) contra 14% e 15%, respectivamente, nas mulheres sadias.

Gravidez tardia, prevalência familiar e genética
De acordo com Eduardo Schor, além da gravidez tardia, as mulheres que possuem casos de endometriose na família (mãe e irmãs) têm sete vezes mais chances de desenvolver a doença. “Duas pesquisas realizadas por nós também apontam que mutações genéticas estão envolvidas no processo. Duas dessas mutações já foram identificadas, sendo que, uma delas, o chamado P27, foi descoberto por nós”, afirma.

O ginecologista explica que a presença tanto o P27, quanto o Progins, que é a outra mutação descrita, aumentam duas vezes mais as chances de as mulheres terem a doença. “O P27 faz com que as células fiquem mais nervosas e se proliferarem mais do que o normal. Já o Progins provoca uma mutação no gene que codifica o receptor de progesterona”, diz. “A análise in vitro de células de 104 mulheres com a doença mostrou que a mutação P27 estava presente em 35% do grupo. Nas 109 mulheres sadias avaliadas, essa presença foi detectada em apenas 22% delas”.

A outra pesquisa realizada na Unifesp e citada por Schor confirmou a presença marcante do Progins nas células de 29% das 121 mulheres com endometriose e indicação cirúrgica avaliadas contra 21% das mulheres com exames ginecológicos e de imagem considerados normais.

Poluentes na linha de tiro das pesquisas
Fatores ambientais parecem favorecer ainda mais todo o contexto da endometriose, inclusive no aumento do número de casos. Schor e seu grupo de pesquisa estão investigando a relação da dioxina, um poluente usado na produção de plástico e outros derivados de petróleo. “Um trabalho de iniciação científica apresentado na Unifesp mostrou uma forte tendência estatística de alteração celular da endometriose quando exposta a essa substância”, afirma.