10 perguntas e respostas sobre proteção solar

Com a chegada do verão, milhares de brasileiros correm para garantir o bronzeado e, em meio a praias e piscinas muitos esquecem que existe um vilão neste cenário: o câncer de pele.

Para driblar o problema sem deixar de curtir o sol, que oferece também benefícios à saúde, confira as respostas para as dúvidas mais comuns e os cuidados necessários para manter-se saudável durante e após o verão. As informações são da dermatologista Alessandra Nogueira

1. O que significa o valor do FPS?
FPS é a sigla para Fator de Proteção Solar e indica o grau de proteção da pele contra a queimadura solar. Um FPS 50, por exemplo, mostra que você está 50 vezes mais protegida contra os raios UVB, ou seja, precisa de 50 vezes mais radiação solar UVB para desencadear uma queimadura solar do que se não estivesse usando nada. Isso desde que seja aplicada a quantidade adequada de filtro solar.

2. Qual a diferença entre UVB e UVA? Os dois fazem mal à saúde?
A radiação UVA penetra profundamente na pele, não costuma ter sua intensidade alterada conforme a época do ano ou altitude de cada região e é a principal responsável pelo fotoenvelhecimento. Já os raios UVB são os causadores das queimaduras solares e mudam de intensidade conforme a estação e altitude, ganhando força no verão, em especial entre as 10h e 15h. O UVB está diretamente relacionado ao desenvolvimento de câncer de pele nas áreas corporais fotoexpostas.

3. O FPS protege apenas contra os raios ultravioletas do tipo B?
Sim. O FPS indica apenas o fator de proteção contra os raios UVB. O ideal é usar filtros de amplo espectro, ou seja, que também tenham proteção UVA, que deve ser no mínimo 1/3 do valor do FPS, segundo recomendações da Diretiva Européia, publicada em 2006.

4. Como sei que fator é ideal para proteger minha pele?
Um dermatologista é a pessoa mais indicada para fazer esta indicação com segurança.

5. E como proteger a pele sensível ou com doenças específicas relacionadas à exposição solar?
Peles nestas condições precisam de cuidados específicos. A indústria farmacêutica tem evoluído muito neste sentido, com o desenvolvimento de produtos indicados especialmente para quem sofre de dermatoses (problemas de pele) agravadas ou induzidas pela exposição solar.

6. Ficar na sombra me protege dos raios solares?
Parcialmente. Mesmo na sombra estamos expostos à radiação UVA, principal responsável pela perda de elasticidade da pele, manchas, rugas finas e profundas, características do tão temido fotoenvelhecimento. Para se ter uma idéia da potência dos raios UVA, eles penetram profundamente na pele, atravessam vidros e não são amenizados de acordo com a altitude do lugar, hora do dia ou estação do ano.

7. Existe um horário apropriado para expor-se ao sol?
Sim. Na praia ou piscina, antes das 10h e depois das 15h. Fora desse período, a radiação UVB é mais intensa, causa facilmente queimadura solar, manifestada por vermelhidão, bolhas e descamação na pele. Além disso, está associada ao aumento do risco de desenvolvimento de câncer de pele no futuro. Vale lembrar que a exposição ao sol no período apropriado não dispensa o uso do protetor solar.

8. Quando devo usar protetor solar?
Diariamente. Estudos atuais demonstram os benefícios da fotoproteção diária, com filtros solares de amplo espectro, os quais previnem agressões da pele causadas pelo sol. Além disso, alguns locais refletem luz solar e potencializa a ação do sol, como a água; a neve (85%); superfícies pintadas de branco e asfalto (70%) e; areia branca, (25%).

Nos períodos de exposição mais intensa, como o verão, é necessário aplicar o protetor até mesmo nas partes do corpo cobertas por roupa, pois a radiação UV penetra em tecidos com trama larga e cores claras. Uma camiseta de malha branca seca, por exemplo, oferece proteção entre UPF 5 a 9 apenas.

9. Qual quantidade de protetor solar devo usar?
Para obter uma proteção eficiente, use 35g por aplicação, o equivalente a duas colheres de sopa cheias. Lembrando que o produto deve ser aplicado 30 minutos antes da exposição ao sol e reaplicado a, pelo menos, cada duas horas.

10. É exagero tomar todos esses cuidados em dias nublados?
Não. Em dias nublados, 80% da radiação solar atinge a Terra, ainda que você não perceba a ação do sol no corpo. Por isso, proteger-se é necessário sempre e o uso do protetor solar é indispensável.

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O verão e as doenças de pele

maoAlém de férias, calor e praia, o verão traz também o aumento de casos de doenças de pele. Para curtir a estação mais quente do ano sem estes problemas, o dermatologista Cesar Cuono, alerta: “Alguns cuidados como aplicação regular do filtro solar e dos repelentes são essenciais”.

O sol é a nossa maior fonte de energia. É importante na síntese da vitamina D para a prevenção do raquitismo em crianças e osteoporose, principalmente nas mulheres. Porém, seu excesso pode ocasionar queimaduras.

Cada pessoa tem um tipo de pele e, portanto, mais ou menos tolerância ao sol. Quem tem pele muito clara está mais sujeito às queimaduras (vermelhão).

Para evitar, utilize filtros solares de alto FPS (30 ou mais), repasse com freqüência – de duas em duas horas ou sempre após um mergulho. Mesmo assim, não fique exposto diretamente à luz solar. Utilize guarda-sol, bonés ou chapéus.

Esqueceu dos cuidados, paciência! Agora é intensificar a hidratação da pele com cosméticos concentrados e fazer compressa fria com chá de camomila. Se a queimadura for muito intensa, aplique clara de ovo, pois isto possibilita a formação de uma película protetora no local.

É importante ter em mente que o sol, não só promove um envelhecimento precoce (rugas e manchas), como é o maior responsável por desencadear câncer de pele. E não se engane, o Melanoma, é um câncer de pele e um dos piores tumores que podemos ter.

Micose
Micoses são infecções provocadas por fungos que adoram o calor e a umidade. É de dezembro a março, período em que freqüentamos mais as praias e temos maior contato com eles. Porém, só com o suor provocado pelo aumento da temperatura, podemos apresentar “frieiras” entre os dedos dos pés, descamação nas plantas dos pés e “assaduras” na região da virilha. Tudo isto, mesmo sem ir à praia.

Para prevenir, o ideal é usar roupas leves, de preferência de algodão. Sempre que possível aplique talco ou amido de milho (maizena) nessas áreas para manter o local seco.

Herpes
Também freqüente nessa época, a Herpes Simples Recidivante aparece porque o sol, em excesso diminui a imunidade da pele e reduz células de defesa da derme, deixando as pessoas portadoras do vírus mais susceptíveis ao aparecimento das lesões. A dica é usar muito filtro solar, não se esquecendo dos lábios.

Fitofotodermatose
Na hora de se refrescar com um delicioso suco de limão ou com a famosa caipirinha, é importante lembrar que o contato da fruta destas bebidas na pele, junto com a exposição solar provoca queimadura, a Fitofotodermatose. Por isso, a atenção deve ser redobrada.

O limão tem a substância furocumarina, que é um potentíssimo bronzeador, ou sensibilizante da pele ao sol. Essas lesões podem ser de até terceiro grau, com cicatrizes deformantes, dependendo do tipo de pele e da exposição a que se submeteu.

A dica é nunca mexer com o limão diretamente no sol. Antes de se expor, lave bem as mãos com bastante água e sabão, e também o tronco, se estiver sem camisa, porque ele espirra quando espremido. As frutas cítricas e, também, o figo e o caju podem ter o mesmo efeito.

Dr. Cesar conclui que com estes cuidados suas férias serão mais gostosas e ressalta: “Não se automedique. Ao primeiro sintoma das doenças, procure um dermatologista para diagnóstico e tratamento adequados”.

Exposição ao sol com filtro solar não provoca deficiência de vitamina D

mulher_sol5Estudo recente realizado por médicos da Clínica de Dermatologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e patrocinado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional do Estado de São Paulo (SBD RESP) demonstrou que o uso contínuo do filtro solar não impede a síntese da vitamina D, cuja produção pelo organismo é estimulada pela exposição ao sol, e previne a osteoporose, o raquitismo e outras doenças, inclusive alguns tipos de câncer.

“Estudos não ligados à dermatologia têm sugerido que a prática da fotoproteção para prevenção do câncer da pele poderia provocar deficiência de vitamina D, e, como resultado, futuras alterações na mineralização óssea. Nosso estudo mostrou que, apesar de as concentrações de vitamina D em indivíduos fotoprotegidos serem menores, não são suficientes para causar hipovitaminose”, afirma o autor do estudo, Dr. Marcus Maia, professor adjunto da disciplina de Dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e membro da SBD RESP.

O estudo, publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia, foi vencedor do Prêmio Saúde! – Categoria Saúde da Pele, promovido pela revista Saúde!, da Editora Abril e também tem como co-autores o Dr. Sergio Setsuo Maeda e a Dra. Carolina Marçon, ambos ligados à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

O objetivo da pesquisa foi avaliar os níveis de vitamina D em pacientes orientados para uma intensa proteção solar, o que inclui evitar os horários de maior radiação solar, procurar permanecer na sombra, fazer uso correto do filtro solar fator 30, chapéus e camisetas. O estudo envolveu 50 pacientes de pele clara, com idades entre 35 e 60 anos.

Foram comparados grupos de pacientes fotoprotegidos com indivíduos que não praticam qualquer tipo de fotoproteção. Além disso, avaliou-se a relação da proteção solar com a produção do paratormônio (PTH), hormônio secretado pela glândula paratireóide, cuja função principal é de regular o teor de cálcio e fósforo no organismo. Segundo os médicos, para obtenção da quantidade necessária de vitamina D, bastaria a exposição da pele a pequenas quantidades de sol do cotidiano e, por esse motivo, a fotoproteção tem sido recomendada com boa margem de segurança pelos dermatologistas.

“É evidente que o bloqueio completo da radiação ultravioleta causaria diminuição significante na produção de vitamina D, mas num país tropical como o Brasil a proteção solar absoluta é impossível de ser praticada. De acordo com os resultados do trabalho, portanto, deve-se ter mais preocupação em proteger a pele do sol do que temer o prejuízo ósseo”, conclui Maia.

O câncer da pele é o tipo de tumor maligno mais comum no ser humano. Apenas em 2008, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estimou que aproximadamente 120 mil novos casos da doença tenham sido diagnosticados no país. Os pacientes mais freqüentes têm acima de 40 anos e apresentam pele clara ou pintas.

Desde 1999, a Sociedade Brasileira de Dermatologia realiza a Campanha Nacional de Prevenção do Câncer da Pele, oferecendo atendimento gratuito à população para diagnóstico do câncer da pele e promovendo ações de conscientização sobre a importância da fotoproteção.