Vacina quadrivalente contra HPV é qualificada pela OMS

vacinaUma vacina quadrivalente contra o papilomavírus humano (HPV) acaba de receber a pré-qualificação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso significa que, a partir de agora, o produto poderá ser comprado por agências da Organização das Nações Unidas (ONU), como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), para uso em programas nacionais de imunização. A vacina quadrivalente é a primeira contra câncer de colo do útero a receber o certificado da OMS.

O objetivo da pré-qualificação da OMS é garantir que as vacinas atendam aos padrões de qualidade, segurança e eficácia que, em conjunto com outros critérios, são utilizados pela ONU e outros órgãos para definir as compras.

“O câncer de colo do útero representa um ônus significativo para os países em desenvolvimento. A pré-qualificação pela OMS de uma vacina contra HPV significa um avanço para ajudar a proteger mulheres jovens e melhorar o acesso à saúde, principalmente nos países mais pobres”, comenta Graça Machel, fundadora e presidente da Foundation for Community Development (Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade) em Moçambique e defensora da saúde feminina.

A vacina quadrivalente contra HPV é a única que protege contra quatro sorotipos do papilomavírus humano (6, 11, 16 e 18). Atualmente, é indicada para meninas e mulheres de 9 a 26 anos para a prevenção de cânceres de colo do útero, da vulva e da vagina causados pelo HPV 16 e 18, das verrugas genitais provocadas pelo HPV 6 e 11 e das lesões pré-cancerosas ou displásicas causadas pelo HPV tipos 6, 11, 16 e 18.

Os HPV 16 e 18 são responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de câncer do colo do útero, sendo que os tipos de HPV 6 e 11 causam aproximadamente 90% das verrugas genitais e cerca de 10% das lesões displásicas de baixo grau do colo do útero.

Segundo os estudos clínicos, a vacina quadrivalente contra o HPV demonstrou 100% de eficácia na prevenção de cânceres cervicais, vulvares e vaginais relacionados ao HPV 16 e 18 em mulheres que não haviam sido expostas a esses tipos de HPV e 99% de eficácia nos casos verrugas genitais causadas por HPV tipos 6 ou 11.

Informações sobre o Papilomavírus Humano 
Estima-se que o HPV (papilomavírus humano) cause cerca de meio milhão de novos casos de câncer de colo do útero anualmente no mundo, sendo que a maioria afeta mulheres dos países em desenvolvimento.

Para a maior parte das mulheres, o HPV desaparece espontaneamente. No entanto, para algumas, alguns tipos de HPV de alto risco, se não reconhecidos e tratados, podem causar câncer de colo do útero.

O câncer de colo do útero é o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres em todo o mundo. Praticamente 80% dos casos de câncer de colo do útero ocorrem nos países em desenvolvimento, sendo que, em muitas regiões, é o tipo mais comum entre mulheres.

Os tipos 16 e 18 de HPV causam aproximadamente 70% dos casos de câncer de colo do útero. Nem todos os casos de câncer vulvar e vaginal são causados por HPV, sendo desconhecido o número exato de casos causados pelos HPV 16 e 18. No entanto, estima-se que respondam por 40% a 50% dos cânceres vulvares e cerca de 70% dos cânceres vaginais. As verrugas genitais são crescimentos anormais da pele causados por HPV, principalmente pelos tipos 6 e 11, que causam mais de 90% das verrugas genitais.

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Desinformação leva a uso indevido de vitamina C

gripePor trás de toda receita de um remédio caseiro para a gripe, lá está ela, a boa e velha vitamina  C. Na acerola, no limão e na mixirica, nada substitui a receita passada de gerações a gerações, dando conta de que essa vitamina pode ser um grande trunfo na profilaxia e no tratamento da gripe.

A vitamina C foi isolada em 1928, sendo demonstrado o seu potencial para curar o escorbuto, uma doença que os marinheiros europeus tinham quando saíam em longas viagens de navio e ficavam privados da ingestão dos seus alimentos fontes.

Os seres humanos são uma das poucas espécies que não podem produzir a vitamina C e devem receber esse nutriente através dos alimentos. “O principal papel da vitamina C é a síntese do colágeno, uma proteína que une e dá sustentação às células corporais. O quadro clínico da deficiência de vitamina C se manifesta com fadiga, depressão, inflamação das gengivas e dificuldade de cicatrização de feridas”, explica a endocrinologista Ellen Simone Paiva, diretora do Citen, Centro Integrado de Terapia Nutricional.

Atualmente, as manifestações do escorbuto podem ainda ser vistas em pessoas que ingerem muita bebida alcoólica, pois o uso crônico do álcool pode interferir na adequação da ingestão, absorção e disponibilidade da vitamina C no organismo.

Entre as múltiplas funções da vitamina C, talvez, a mais estudada está na sua ação  antioxidante.  Isso significa que ela consegue neutralizar algumas reações químicas potencialmente prejudiciais ao nosso organismo. “Dentre estas, a vitamina C protege o organismo contra a oxidação do colesterol, tornando-o menos deletério à saúde cardiovascular. Este efeito antioxidante também é postulado como potencialmente protetor para certos tipos de câncer e contra o envelhecimento”, diz a médica.

Fama de curar gripe
A origem da fama da vitamina C na prevenção e no tratamento da gripe vem do seu conhecido efeito na produção de anticorpos. Na verdade, ela parece fundamental para a  proteção imunológica, além de participar da produção do interferon, uma substância com ações anti-viral e anti-câncer.

“Apesar da  extensa publicidade promovida pela indústria farmacêutica, sugerindo  que a vitamina C possa  prevenir gripes e resfriados ou aliviar sua virulência, a pesquisa médica não conseguiu dar suporte científico para essa indicação. Nossa afirmação se baseia em extensa pesquisa científica, com estudos bem elaborados que revelam que as pessoas que consomem suplementos de vitamina C, mesmo em grandes doses de até 3g por dia – quando as recomendações de ingestão diária são de até 60mg por dia – não estão mais protegidas do que aquelas que não fazem suplementação. Esses resultados revelam claramente que não há fundamento que justifique indicar vitamina C para prevenir e muito menos tratar gripes e resfriados”, observa Ellen Paiva, que também é médica nutróloga.

A vitamina C é amplamente encontrada, em grande quantidade, nas frutas cítricas e nos vegetais verdes. O estoque corporal médio de vitamina C é em torno de 900mg e, muitas vezes, as pessoas consomem, de maneira abusiva, doses muito maiores do que essas. “A absorção deste nutriente é rápida e eficiente e o organismo se previne das ingestões excessivas e das mega doses aumentando sua excreção urinária. Isso pode causar acidificação urinária excessiva, uma vez que a vitamina C é um ácido, que aumenta a síntese de oxalato e com ele, uma maior produção de pedras no trato urinário”, explica a diretora do Citen.

Proteção no prato
A literatura médica está repleta de citações que atestam o incontestável  benefício antioxidante de uma alimentação rica em frutas e vegetais, com menor incidência de doenças crônicas como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer. Esses alimentos exercem tal efeito através de concentrações adequadas de antioxidantes, que atuam em conjunto com outras substâncias também presentes nesses alimentos, garantindo o efeito antioxidante eficaz. A partir dessas evidências, a pesquisa científica passou a avaliar o benefício isolado de tais antioxidantes oferecidos em cápsulas e comprimidos, os suplementos vitamínicos.

Se os 60mg de vitamina C recomendados diariamente podem ser benéficos, que dirá as mega doses de até 1000mg presentes no mercado, pensarão alguns, ou até as 10.000mg ingeridas pelo cientista Linus Pauling, antes de falecer vítima de câncer, uma vez que ele era um fumante inveterado. “Esse era o pensamento dominante, quando foram preconizadas tais doses. Logo, descobrimos que graças à capacidade de auto-proteção do nosso organismo, os rins eliminam a maior parte dessa vitamina em cápsulas, evitando catástrofes maiores. Hoje, já sabemos que 100g de maçã com casca possui o mesmo efeito antioxidante de 500mg de vitamina C”, diz a médica.

Dia Mundial da Voz, cuide bem da sua

screamingHoje, 16 de abril, é comemorado em todo o mundo o Dia da Voz. A data serve como alerta para os cuidados que devemos tomar para preservar a saúde desta importante ferramenta de comunicação.

Cerca de 70% da população economicamente ativa utiliza a voz como instrumento de trabalho, em especial professores, atendentes de telemarketing, recepcionistas, artistas, jornalistas, políticos, entre tantos outros. No entanto, as pessoas apenas dão atenção à voz quando a perdem, em razão de uma rouquidão (provocada por uma gripe ou inflamação na garganta) ou mesmo de uma doença mais grave, como o câncer de laringe.

Segundo o otorrinolaringologista do Hospital e Maternidade São Camilo, José Antônio Pinto, as pessoas devem ficar atentas a alguns sinais importantes, como rouquidão persistente por um período maior que 15 dias, por exemplo. São sinais de alerta, às vezes, para doenças mais graves, que requerem avaliação e tratamento de um especialista. “Mais que duas semanas sem voz indicam um problema mais sério, às vezes, um pólipo (saliência na corda vocal oriunda de um fonotrauma – grito etc.) na garganta, um derrame ou uma tosse excessiva que produz hemorragia na corda vocal”, afirma o médico.

Muitos dos problemas ou doenças associados à voz têm origem no mau uso vocal, que causam nódulos nas cordas vocais, que alteram voz. “Geralmente o calo acontece quando a pessoa tenta utilizar a voz em um tom mais alto, força a musculatura e produz um choque entre as cordas vocais, que com o tempo forma calos, devido a essa tensão exagerada. Como consequência, a voz fica com um agudo muito irritante, e as pessoas perdem até mesmo o fôlego para falar. Com o tempo, a qualidade da voz piora. É preciso, então, operar e fazer tratamento de reeducação vocal”, explica José Antônio Pinto.

Dicas de cuidados com a voz
– Evite ar-condicionado em excesso, pois resseca as vias respiratórias
– Preserve sua voz, não grite, nem sussurre, fale normalmente
– Evite substâncias que causam irritação, como cigarro – uma das causas principais de câncer na laringe
– O álcool também irrita as vias respiratórias e altera a qualidade vocal
– Tome bastante líquido, uma média de dois litros de água por dia, ou um copo de água a cada duas horas
– Evite alimentos que causem azia ou má digestão

Sintomas de alerta
– Rouquidão
– Perda da voz
– Pigarro constante
– Dor para engolir
– Sensação de engasgos
– Dor ou ardência na garganta
– Tosse freqüente
– Dificuldade para respirar
– Sensação de corpo estranho na garganta

Evite a automedicação. Em caso dúvida ou problemas, sempre consulte um médico! Sempre, meninas!

Pesquisadores descobrem medicamento que pode inibir câncer de cólon em ratos

Pesquisadores da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, descobriram que uma droga que está sendo testada para tratar uma variedade de tipos de câncer em humanos inibiu, significativamente, o desenvolvimento de câncer de cólon em camundongos.

Como a droga parece ter efeitos colaterais mínimos, pode representar um tratamento quimiopreventivo eficaz em pessoas com alto risco de desenvolver câncer de cólon, dizem os pesquisadores.

Em seu estudo, publicado na edição de 15 de fevereiro do jornal Cancer Research, os pesquisadores descobriram que o uso do medicamento enzastaurina reduziu, de forma significativa, o desenvolvimento de tumores cancerosos no cólon dos camundongos.

Além disso, os tumores que se desenvolveram nos animais, de qualquer forma, eram de menor grau, o que significa que eram menos avançados e menos agressivos do que os tumores observados em animais que não foram tratados com o medicamento.

“Há uma necessidade de um agente com uma capacidade comprovada de reduzir os riscos de câncer de cólon e esse estudo sugere que o medicamento enzastaurina pode ser especificamente eficaz”, diz a pesquisadora sênior do estudo Nicole Murray (Ph.D.), do Departamento de Biologia do Câncer da Clínica Mayo, de Jacksonville.

As pessoas com alto risco de câncer de cólon (uma porção do intestino grosso) desenvolvem, frequentemente, numerosos pólipos pré-cancerosos no cólon, que precisam ser removidos periodicamente, durante uma colonoscopia, diz a pesquisadora.

Os laboratórios da pesquisadora e de seu colaborador e co-autor do estudo Alan Fields (Ph.D.), chefe do Departamento de Biologia do Câncer, se concentram na caracterização dos genes envolvidos em diferentes estágios da carcinogênese (formação do câncer) do cólon. Eles têm concentrado sua atenção na família de enzimas da proteína cinase C (PKC), como protagonistas importantes no desenvolvimento e progressão do câncer, mas estão levando anos para entender os diferentes papéis de cada tipo de molécula ou “isozima” PKC.

“Todas as isozimas PKC agem, essencialmente, da mesma forma. Elas adicionam grupos fosfatos às proteínas para alterar a função delas. Mas, dentro das células, verificamos que cada isozima PKC representa um papel diferente”, diz a pesquisadora.

Ao usar camundongos transgênicos, nos quais genes diferentes da PKC foram seletivamente eliminados ou silenciados, os pesquisadores determinaram os papéis essenciais de duas das principais isozimas. Na edição de 15 de janeiro do jornal Câncer Research, eles relataram que a PKCß (PKC-beta) é necessária para a iniciação do câncer de cólon em camundongos expostos a carcinógenos. “Esses camundongos desenvolveram tumores no cólon similares aos tumores encontrados em humanos, o que não aconteceu com os animais sem um gene a PKCß”, conta a pesquisadora.

Nesse estudo, os pesquisadores demonstraram que uma isozima PKC diferente, conhecida como PKCi/l (PKC iota-lambda), está envolvida na progressão do câncer de cólon. Se o gene PKCi/l for eliminado em modelos animais que imitam o tipo de câncer observado em pessoas com uma forma herdada de câncer de cólon, o câncer não progride na mesma taxa de velocidade, diz a pesquisadora. “Mas, nesses mesmos camundongos, se eliminamos o gene PKCß, nenhum efeito é produzido”, ela afirma.

“Isso nos indica que a expressão excessiva do PKCß e do PKCi/l exerce papéis diferentes, não sobrepostos, na carcinogênese do cólon, conspirando para provocar a iniciação e a progressão da carcinogênese do cólon, respectivamente”, declara a médica.

As descobertas sugerem que ataques a essas isozimas PKC diferentes podem trazer benefícios distintos ao tratamento do câncer. Combater o PKCß em células do cólon pode ajudar a conter o desenvolvimento inicial do câncer; e inibir o PKCi/l pode ajudar a deter a progressão do câncer que já se desenvolveu, ela diz.

No estudo atual, a equipe de pesquisadores testou o enzastaurina, um medicamento oral projetado especialmente para suprimir a sinalização ao longo da via do PKCß. A droga está agora passando por estudos clínicos para o tratamento de linfomas de células B e de gliomas cerebrais de alto grau, entre outros tipos de câncer.

Os pesquisadores ministraram, diariamente, o medicamento a um grupo de camundongos e, então, expuseram esse grupo, bem como os camundongos de um grupo de controle, a carcinógenos que causam tumores no cólon. Depois de 22 semanas, 80% dos camundongos do grupo de controle desenvolveram tumores do cólon, enquanto apenas 50% dos animais do grupo tratado com a droga desenvolveu tumores – e, nesse caso, os tumores não estavam tão avançados, como no caso do grupo de controle, relata a pesquisadora.

O medicamento pôde ser testado, como agente de quimioprevenção do câncer de cólon, de uma maneira relativamente simples, explica a médica. Como os pólipos pré-cancerosos de cólon podem ser observados durante uma colonoscopia, foi possível verificar se uma droga que atacasse o PKCß reduziria a formação de pólipos, com o tempo, em pessoas que estão usando esse medicamento, ela diz.

Quase um terço dos cânceres podem ser evitados com vida saudável

Cerca de 30% dos casos de câncer no Brasil poderia ser evitada. É o que afirma um estudo do World Cancer Research Fund International (WCRF International) – Fundo Mundial de Pesquisas sobre Câncer – em parceria com o American Institute for Cancer Research (AICR) – Instituto Americano para a Pesquisa do Câncer – divulgado hoje.

De acordo com a pesquisa, 11 tipos de cânceres seriam evitados se as pessoas  fizessem mais exercícios, controlassem o peso e tivessem uma dieta saudável. Os tipos de cânceres estudados foram: boca, laringe e faringe – considerado como uma única categoria -; esôfago, pulmão, estômago, pâncreas, vesícula biliar, cólon, fígado, mama, endométrio (mucosa uterina) e rim.

Ainda de acordo com os cientistas, o maior impacto de uma vida mais regrada e saudável seria na prevenção do câncer de mama, que é o segundo tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras.

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer, 49 mil novos casos de câncer de mama devem ser registrados no País neste ano. O que significa, conforme a pesquisa, que quase 14 mil casos poderiam ser prevenidos.

A mesma pesquisa afirma que o número de mortes por câncer deve dobrar nos próximos 40 anos e o principal motivo, segundo o WCRF, é a obesidade. “Estamos preocupados com o país (Grã-Bretanha), mas também com Egito, México, Brasil e países do Oriente Médio”, disse Michael Marmot, da University College London, ao jornal The Observer.

Os dados dos estudos foram publicados pela BBC Brasil. Confira as reportagens completas aqui e aqui.

Nanotecnologia contra o câncer

nanotecnologiaUtilizando a nanotecnologia, pesquisadores da Universidade de Tel Aviv (Israel) desenvolveram uma terapia de combate ao câncer que é capaz de destruir apenas as células doentes do organismo, preservando as saudáveis. Isso poderá reduzir os graves efeitos colaterais provocados pela quimioterapia e melhorar sua eficiência.

A base desse tratamento são bolhas microscópicas cuja superfície contém um agente capaz de distinguir e destruir as células cancerosas. Segundo a professora Rimona Margalit, do Departamento de Bioquímica da Universidade e responsável pela experiência, a nova tecnologia tem sido aplicada com sucesso em animais e o próximo passado será testá-la em seres humanos. A Universidade agora está procurando laboratórios farmacêuticos interessados em investir no desenvolvimento da pesquisa. “Em 20 anos, essa terapia poderá ser disseminada por todo o mundo”, diz Rimona.

Exposição ao sol com filtro solar não provoca deficiência de vitamina D

mulher_sol5Estudo recente realizado por médicos da Clínica de Dermatologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e patrocinado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional do Estado de São Paulo (SBD RESP) demonstrou que o uso contínuo do filtro solar não impede a síntese da vitamina D, cuja produção pelo organismo é estimulada pela exposição ao sol, e previne a osteoporose, o raquitismo e outras doenças, inclusive alguns tipos de câncer.

“Estudos não ligados à dermatologia têm sugerido que a prática da fotoproteção para prevenção do câncer da pele poderia provocar deficiência de vitamina D, e, como resultado, futuras alterações na mineralização óssea. Nosso estudo mostrou que, apesar de as concentrações de vitamina D em indivíduos fotoprotegidos serem menores, não são suficientes para causar hipovitaminose”, afirma o autor do estudo, Dr. Marcus Maia, professor adjunto da disciplina de Dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e membro da SBD RESP.

O estudo, publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia, foi vencedor do Prêmio Saúde! – Categoria Saúde da Pele, promovido pela revista Saúde!, da Editora Abril e também tem como co-autores o Dr. Sergio Setsuo Maeda e a Dra. Carolina Marçon, ambos ligados à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

O objetivo da pesquisa foi avaliar os níveis de vitamina D em pacientes orientados para uma intensa proteção solar, o que inclui evitar os horários de maior radiação solar, procurar permanecer na sombra, fazer uso correto do filtro solar fator 30, chapéus e camisetas. O estudo envolveu 50 pacientes de pele clara, com idades entre 35 e 60 anos.

Foram comparados grupos de pacientes fotoprotegidos com indivíduos que não praticam qualquer tipo de fotoproteção. Além disso, avaliou-se a relação da proteção solar com a produção do paratormônio (PTH), hormônio secretado pela glândula paratireóide, cuja função principal é de regular o teor de cálcio e fósforo no organismo. Segundo os médicos, para obtenção da quantidade necessária de vitamina D, bastaria a exposição da pele a pequenas quantidades de sol do cotidiano e, por esse motivo, a fotoproteção tem sido recomendada com boa margem de segurança pelos dermatologistas.

“É evidente que o bloqueio completo da radiação ultravioleta causaria diminuição significante na produção de vitamina D, mas num país tropical como o Brasil a proteção solar absoluta é impossível de ser praticada. De acordo com os resultados do trabalho, portanto, deve-se ter mais preocupação em proteger a pele do sol do que temer o prejuízo ósseo”, conclui Maia.

O câncer da pele é o tipo de tumor maligno mais comum no ser humano. Apenas em 2008, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estimou que aproximadamente 120 mil novos casos da doença tenham sido diagnosticados no país. Os pacientes mais freqüentes têm acima de 40 anos e apresentam pele clara ou pintas.

Desde 1999, a Sociedade Brasileira de Dermatologia realiza a Campanha Nacional de Prevenção do Câncer da Pele, oferecendo atendimento gratuito à população para diagnóstico do câncer da pele e promovendo ações de conscientização sobre a importância da fotoproteção.