Dor de cabeça pode ser sintoma de problema bucal

Mal comum da vida moderna, a dor de cabeça merece atenção. Causada por diferentes distúrbios (mais de 150 apontados pela Sociedade Brasileira de Cefaléia), o incômodo muitas vezes persiste por horas e, até mesmo, dias. Neurologistas, otorrinolaringologistas e psiquiatras são os profissionais mais procurados quando a dor fica forte e quase insuportável. No entanto, o dentista é o especialista recomendado quando o problema é causado por uma disfunção temporomandibular (DTM).

A DTM é um desequilíbrio dos músculos mastigatórios, ou seja, mau funcionamento da ATM (Articulação Temporomandibular) que liga a mandíbula ao maxilar. A característica mais comum, quando o sistema responsável pelo movimento de abertura e fechamento da boca sofre alterações, é a dor de cabeça. “Outros sintomas são dores de ouvido, dor e pressão atrás dos olhos, dores na face, ruídos na articulação e limitações durante os movimentos mandibulares”, acrescenta Dr. Sidnei Goldmann, implantodontista e pós-graduado em estética bucal.

Os motivos que levam uma pessoa ter uma disfunção temporomandibular são diversos. Os mais comuns são traumatismo (trauma físico ou emocional), estresse físico e psicológico que causam tensão, má oclusão (mordida inadequada) e hábitos parafuncionais como o bruxismo (ranger dos dentes), roer unhas e o apoiar das mãos na mandíbula.

A disfunção temporomandibular não tem cura. Porém, existem diversos tratamentos que minimizam, consideravelmente, a DTM. Placa de mordida, relaxantes musculares, fisioterapia, acupuntura, analgésicos e antinflamatórios são alguns recursos utilizados para tratar a desordem dos músculos mastigatórios.

“O tratamento da DTM é necessário. Com o tempo, se não for diagnosticada, além de não cessar a dor de cabeça, vai ocorrer uma perda gradual da mobilidade mandibular. Portanto, se você ainda desconhece a causa do incomodo na cabeça, ir a um consultório odontológico pode lhe ajudar a recuperar a qualidade de vida”, reforça o especialista Goldmann.

Pesquisa mostra que 75% das mulheres sofrem de enxaqueca no período menstrual

Estudos recentes realizados no Brasil mostram que 75% das mulheres queixam-se de dor de cabeça no período próximo à menstruação, sendo a enxaqueca responsável por boa parte do mal estar. “É bom lembrar que 20% da população feminina têm enxaqueca”, destaca o doutor em Neurologia pela Unicamp e diretor do Instituto do Cérebro de Brasília, Ricardo Teixeira.

As flutuações dos hormônios sexuais da mulher não só explicam o porquê dela ter cerca de três vezes mais enxaqueca que o homem, mas também a íntima associação entre com o período menstrual. “Até 70% das mulheres que sofrem do mal percebem a associação, seja pelo fato de só ter crises de enxaqueca no período da menstruação, seja porque nessa fase as crises costumam ser mais fortes”, descreve o especialista.

O médico explica que há várias estratégias de tratamento para a enxaqueca associada à menstruação. “Estudo publicado na última semana pela revista britânica Cephalalgia confirmou que o tratamento hormonal (estrogênio) é uma ferramenta valiosa”, descreve. O que a pesquisa trouxe de novidade é que o uso de terapias hormonais tem a chance de reduzir a freqüência de crises não só no período perimenstrual (melhora em 81% dos pacientes), mas também ao longo do mês. O tratamento hormonal também permitiu uma extraordinária redução na quantidade de medicações que as mulheres usavam para dor de cabeça.

Enxaqueca é coisa séria. Para se ter uma idéia, ela ocupa o oitavo lugar entre os problemas de saúde de maior impacto no dia-a-dia de uma mulher. “Não faz sentido viver reclamando de enxaqueca sendo que o problema tem diversas formas de solução”, sintetiza Dr. Ricardo. Por isso, mãos à obra, meninas! Procure seu médico e peça orientação sobre o tratamento mais adequado para o seu caso.

Tratamento gratuito para cefaléia

                                                            
A Disciplina de Neurologia da Faculdade de Medicina do ABC inicia na próxima semana (8 de setembro) triagem de pacientes para estudo inédito sobre enxaqueca. Os interessados devem ter mais de 18 anos e ter dores de cabeça há mais de três meses, com pelo menos dois episódios ao mês.

O objetivo é comparar a eficácia de duas novas drogas no tratamento preventivo da enxaqueca. Todos os candidatos passarão por triagem, serão avaliados e receberão diagnóstico do tipo de cefaléia. A partir da seleção inicial, os pacientes que se enquadrarem nos perfis do estudo serão incluídos em grupos de tratamento gratuito. A pesquisa terá duração de três meses e o acompanhamento será por meio de consultas mensais.

Alta prevalência: A enxaqueca é uma condição comum na população geral. Considerada problema de saúde pública, promove elevado impacto na vida dos pacientes, bem como custos diretos e indiretos. Segundo estudo publicado recentemente, o problema é prevalente em 16% das mulheres brasileiras e em 8% dos homens. A gente sempre se ferra, né…

 “A enxaqueca é uma doença neurológica crônica, de extremo impacto na sociedade e no indivíduo afetado. Caracteriza-se por crises de cefaléia recorrentes que duram entre 4 e 72 horas. A dor é do tipo pulsátil, por vezes unilateral, acompanhada de sensibilidade a luz e ao barulho (fotofobia e fonofobia), náuseas e vômitos”, explica Dr. André Leite Gonçalves, médico associado do Ambulatório de Cefaléias da Medicina ABC.

Classificada como cefaléia primária, a enxaqueca é determinada geneticamente e tem entre as principais causas alterações hormonais, fatores dietéticos, mudanças ambientais, estímulos sensoriais e estresse. “Pouco ou muito sono, jejum prolongado, menstruação, álcool, aditivos alimentares, luz, claridade e odores também são reportados como provocadores de crises de enxaqueca em indivíduos suscetíveis”, acrescenta Dr. André Gonçalves.

Existem hoje tratamentos preventivos com medicações específicas associadas à intervenções comportamentais, que incluem exercícios físicos, alimentação regular, manutenção adequada do sono e da rotina diária. “O tratamento da enxaqueca deve ser realizado em duas frentes simultaneamente: tratamento agudo para analgesia das crises e tratamento preventivo ou profilático”, explica o coordenador do Ambulatório de Cefaléias da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC, Dr. Mário Peres.

A profilaxia da enxaqueca é o conceito de tratamento mais importante. É indicada com intuito de evitar que as crises apareçam e para diminuir a intensidade, duração e freqüência – eventualmente até abolí-las. “Várias opções podem ser utilizadas, divididas em medidas medicamentosas e não medicamentosas. Muitas são as drogas disponíveis, entre as quais beta-bloqueadores, antidepressivos, bloqueadores de canal de cálcio e mais recentemente as drogas anti-epilépticas, também chamadas de neuromoduladores”, completa o coordenador.

Os interessados em participar do estudo sobre prevenção das cefaléias devem se cadastrar pessoalmente de segunda a sexta-feira, das 7h às 13h, no Anexo 2 da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC (Av. Lauro Gomes, 2000, Vila Sacadura Cabral – Santo André – SP). Os candidatos devem portar RG, CPF e cartão do SUS.

Crédito da imagem: Ayleene de Monn (sxc.hu)