Especialista tira dúvidas sobre cirurgia plástica pós-parto

bodyA gestação é um período intenso para a mulher, marcado por mudanças físicas e emocionais. Do ponto de vista estético, a forma física apresenta modificações visíveis: os seios antes firmes, podem ficar flácidos; o abdome também pode sofrer com o acúmulo de gordura, processo que pode ser acompanhado de flacidez e estrias.

Dependendo de quantos quilos a pessoa engordou durante a gravidez, a recuperação se torna mais lenta e difícil. Mas, felizmente, existem os tratamentos estéticos e a cirurgia plástica para ajudar a mulher na recuperação de sua auto-estima e do contorno corporal.

Para falar sobre esse assunto, o cirurgião plástico Dr. Alan Landecker, Membro Titular e Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), membro da prestigiada International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) e autor do livro Cirurgia Plástica – Manual do Paciente, respondeu as principais dúvidas sobre esse tema. Confira abaixo:

– Durante a gestação, a mulher pode se submeter a alguma cirurgia plástica? Em caso negativo, por quê?
Não é indicada a realização de qualquer cirurgia plástica durante a gestação, justamente por conta das substâncias anestésicas utilizadas na operação que podem prejudicar o desenvolvimento do bebê no útero. Além disso, durante a gravidez ocorrem alterações hormonais significativas, que levam ao acúmulo de gordura e retenção de líquidos, fatores que interferem no contorno original do corpo. Ou seja, o cirurgião não terá um visual real do corpo dessa mulher para planejar a cirurgia.

– Algum tipo de cirurgia plástica pode ser realizada logo após o parto? Ou quanto tempo após?
Por conta das alterações hormonais, o ideal é que a mulher realize uma cirurgia plástica pelo menos seis meses após parar de amamentar porque, passado este período, o corpo está mais equilibrado do ponto de vista hormonal. Mas, é necessária uma avaliação médica criteriosa. No entanto, se ela ainda estiver com o peso acima do indicado, sugerimos que a mulher realize um “programa de bem-estar” que inclui acompanhamento nutricional, endocrinológico e assessoria esportiva.

A cirurgia plástica entra como a parte final deste programa, pois os melhores resultados são obtidos quando a mulher está em boas condições físicas e com o peso mais próximo do ideal.

– Quais são os principais tipos de cirurgias plásticas realizadas pelas mulheres, após a gravidez?
Principalmente, lipoaspiração, mamas (com ou sem prótese) e abdominoplastia.

– Caso a mulher opte por realizar uma abdominoplastia ou miniabdominoplastia após o parto, quais seriam as condições ideais?
Em primeiro lugar, ela deve seguir as orientações de seu ginecologista. Após o parto, como qualquer outro paciente, a mulher deve estar clinicamente saudável e com o peso bem próximo ao que tinha antes da gravidez.

– No caso da mulher ter passado por uma cesariana e ainda ter propensão à formação de quelóides, como deve ser o procedimento na cirurgia plástica?
O tipo de parto (normal ou cesárea) não influencia na realização da operação. Se a mulher tem propensão à formação de quelóides, ela deve comunicar isso ao cirurgião plástico. Ele deverá analisar a condição da pele, para evitar que isso volte a ocorrer. Com o avanço da medicina, foram desenvolvidas técnicas de sutura que minimizam o aparecimento de quelóides.

– A lipoaspiração é a melhor técnica para reduzir as gorduras acumuladas no abdome, costas e coxas, após o parto?
A lipoaspiração pode ser a melhor técnica para remodelar o corpo, retirar a gordura localizada e, assim, harmonizar o contorno corporal. Pode ser o procedimento mais indicado em pacientes sem flacidez de pele. Porém, caso a paciente apresente muita flacidez no abdome, o recomendado é a abdominoplastia. É essencial que o cirurgião plástico analise a condição da pele da paciente para decidir o tipo de cirurgia mais adequado.

– O implante de silicone nas mamas pode interferir na amamentação? Quando a mulher pode realizar plástica nos seios depois da gravidez?
A cirurgia plástica de mamas, dentro dos princípios técnicos corretos e, independente do tipo de corte realizado, não interfere na amamentação. O tempo indicado para realização da plástica é seis (6) meses após parar de amamentar. Todas as mulheres devem realizar exames anuais para o controle das mamas, após a inclusão da prótese (mamografias, etc)

– Após ter se submetido a uma cirurgia plástica de abdome, mamas ou lipoaspiração, o que pode acontecer ao corpo feminino na eventualidade de uma nova gravidez?
Uma eventual gravidez pode anular ou prejudicar o resultado obtido. Para que isso não ocorra, é vital que o médico e a paciente conversem sobre os planos de uma nova gestação. Estes aspectos têm que ser discutidos detalhadamente, porque a paciente tem que entender que uma nova gravidez irá interferir nos ganhos obtidos com a cirurgia plástica, principalmente de abdome e mama, podendo causar estiramento de pele nestas regiões. Por isso, pode ser recomendável que mulheres que desejam engravidar num futuro próximo adiem a cirurgia plástica para depois do encerramento da prole.

– A cirurgia plástica, após a gravidez, é recomendada para a remoção de estrias? Em caso negativo, qual seria o tratamento indicado?
Estrias são cicatrizes profundas na derme. Dependendo do local onde elas estão e do aspecto da pele, procura-se não operar. Mulheres que possuem estrias na parte inferior do abdome (abaixo do umbigo) até podem realizar uma abdominoplastia para removê-las na totalidade, mas a pessoa vai trocar as estrias por uma cicatriz na região. Não é possível intervir cirurgicamente em estrias localizadas no ‘pneuzinho’ ou nos seios, por exemplo. Hoje, existem tratamentos que podem melhorar o aspecto das estrias, como é o caso do Laser e da Carboxiterapia, técnica nova que ainda está em estudo. Recomendo que a paciente consulte um dermatologista.

– Quais são os principais erros que uma mulher comete após a gravidez com o desejo de recuperar logo a forma física?
O grande erro é não adotar uma rotina saudável, com alimentação equilibrada e exercícios físicos. Muitas delas querem emagrecer drasticamente e ficam sem comer. Várias mulheres depositam na cirurgia plástica todas as esperanças de conseguir um corpo renovado. Mas, elas precisam ter consciência de que a cirurgia será o complemento de um programa de bem-estar, que inclui dieta balanceada, exercícios físicos e também equilíbrio psicológico.

– A mulher pode realizar algum dos tratamentos de rejuvenescimento facial após o parto? Qual o mais indicado para remoção de manchas?
Qualquer procedimento que envolva anestesia deve ser realizado seis meses após parar de amamentar. Outros tratamentos estéticos não-invasivos devem ser analisados e indicados por um médico dermatologista.

Anúncios

Na luta contra as estrias

Hidratar o corpo diariamente já é um hábito comum a muitas mulheres que gostam de manter a pele saudável e macia. Mas essa hidratação diária também pode ajudar a prevenir e a amenizar as estrias, desde que os cremes contenham substâncias ativas com estas propriedades.

As estrias costumam aparecer nos seios, bumbum, coxas, braços, abdômen e geram grande desconforto estético. São resultado da quebra das fibras de colágeno e elastina, que após o rompimento na derme ficam desorganizadas e dão origem as linhas vermelhas e esbranquiçadas. “Podem ser decorrentes de fatores hormonais, crescimento acelerado na puberdade, uso de alguns medicamentos, estiramento da pele durante a gravidez e por causa do famoso efeito sanfona, quando a paciente emagrece e engorda com muita freqüência e fica com a pele distendida e sem elasticidade”, comenta a farmacêutica Giovana Barbosa.

Para amenizar e prevenir o problema, é preciso repor substâncias que ajudam na reorganização do colágeno e elastina na pele. Neste quesito, a farmacêutica comenta que os princípios ativos hidratantes têm mais sucesso aos redensificadores dérmicos – que fornecem colágeno e elastina à estrutura cutânea. “A pele com estria possui colágeno e elastina, mas de forma totalmente desorganizada. Por isso, é mais importante fornecer substâncias que ajudam na reorganização destas duas proteínas, para que elas voltem naturalmente à sua disposição na pele”, comenta Giovana.

O óleo extraído da planta Hippophae rhamnoides (Sea buckthorn) contém substâncias que repõem à pele componentes que auxiliam no combate às estrias e ajudam na reorganização do colágeno e elastina. Rico em ácidos graxos poliinsaturados, da família dos ômegas 3, 6 e 7, contém ainda vitaminas com propriedades antioxidantes, como o tocoferol e o betacaroteno.

Conheça um pouco mais sobre os benefícios das substâncias que ajudam a prevenir e amenizar as estrias:

Ômega-7 (ácido palmitoléico): é um dos componentes dos lipídeos da pele e fornece suporte à formação normal do tecido celular, isto é, mantém a pele íntegra. Importante à barreira cutânea, o ômega-7 tem efeito calmante e suavizante sobre a pele.

Ômegas-6 e 3 (ácido linoléico e linolênico): não são sintetizados pelas células da pele e devem ser fornecido como um nutriente à barreira cutânea. São precursores de inúmeros outros ácidos, sendo um dos mais importantes o araquidônico. Adicionalmente, ômegas-6 e 3 são componentes estruturais da parede e membrana celular. Ajudam na regeneração cutânea e reforçam as funções da pele (firmeza, elasticidade e proteção).

Tocoferol: é uma das formas de vitamina E que está naturalmente presente na pele, onde desempenha importante função antioxidante. Tem atividade antiinflamatória e realça a atividade de enzimas da camada cutânea.

Betacaroteno: na pele é convertido em ésteres de retinol – um precursor da vitamina A – e é uma alternativa segura à pele. É um antioxidante poderoso e penetra facilmente dentro da epiderme em aplicação tópica, combatendo um tipo específico de espécie oxigênio reativa proveniente da luz do sol.