Grávidas abaixo do peso têm mais chance de parto prematuro

gravidaEstudo norte-americano sugere que mulheres com um índice de massa corporal (IMC) normal ou baixo, antes de ficarem grávidas, devem ser aconselhadas a manter um nível moderado de ganho de peso durante a gestação, entre 0,23kg e 0,68kg por semana, para diminuir o risco de um parto prematuro. A conclusão tem como base a análise dos dados de 437.403 mães que deram à luz a um único bebê entre 1989 e 1997 no estado de Missouri (EUA).

Segundo artigo publicado no European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology, o IMC pré-gravidez foi classificado como normal (entre 19,5 e 24,9), magreza leve (de 17,0 a 18,5), magreza moderada (de 16,0 a 16,9) e magreza grave (abaixo de 15,9). O IMC é considerado o padrão internacional para avaliar o grau de obesidade de um indivíduo e é calculado dividindo-se o peso (em kg) pela altura ao quadrado (em metros).

Os resultados do estudo mostraram que quanto maior o deficit de peso, mais alto era o risco de parto prematuro e que este risco era mais alto para nascimentos prematuros espontâneos do que naqueles indicados por razões médicas. “Para cada categoria do IMC, foram observados valores de risco excessivos para partos prematuros espontâneos entre mulheres com um ganho de peso gestacional (durante a gravidez) muito baixo (inferior a 0,12kg por semana). Mães muito magras com um ganho de peso na gravidez muito baixo ou muito alto apresentaram o maior risco de parto prematuro espontâneo”, afirmam Salihu, do departamento de Obstetrícia e Ginecologia, e colegas da University of South Florida (EUA), responsáveis pelo estudo.

Além disso, a pesquisa identificou que, em contraste, mulheres abaixo do peso com ganho de peso moderado (entre 0,23kg e 0,68kg por semana) apresentaram o risco mais baixo de parto prematuro espontâneo, com a única exceção de grávidas moderadamente abaixo do peso.

“Nossa observação de que a gravidade de um IMC baixo pré-gestação foi associado diretamente (em um padrão de dose-resposta) ao parto prematuro ressalta a importância do aconselhamento pré concepcional para mulheres – especificamente sobre a importância de as mulheres alcançarem e manterem um peso normal antes da gravidez”, destacam os autores da pesquisa.

Informações da Agência Notisa

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Como decifrar o peso corporal?

garota-na-balancaO peso corporal é a forma mais prática de medir a gordura corporal. Entretanto, quando nos pesamos, estamos aferindo um valor que soma massa muscular, ossos, água corporal e a tão odiada gordura corporal. “Portanto, podemos estar pesados, sem estar gordos. Ou ainda, podemos estar festejando um peso que aparentemente está próximo do normal, mas que pode conter um excesso de gordura corporal em detrimento da chamada massa magra”, diz a endocrinologista Ellen Simone Paiva, diretora do Citen, Centro Integrado de Terapia Nutricional.

Na tentativa de aferir melhor a composição corporal, desenvolvemos várias técnicas para medir de maneira mais acurada o excesso ou a adequação da gordura corporal. “Essa obsessão pela medida exata da gordura se deve aos riscos de doenças sabidamente proporcionais ao excesso de gordura corporal, tornando muito mais preocupante um excesso de peso à base de gordura do que um excesso provocado pela massa muscular desenvolvida”, explica a médica.

Além da má fama da gordura corporal, há ainda as alterações na sua distribuição, fazendo com que obesos com localização central ou abdominal da gordura sejam de muito maior risco cardiovascular e metabólico do que os obesos que apresentam uma gordura bem distribuída, por todo o corpo. “Logo, faz-se necessário aferir também essa forma de depósito de gordura tão deletéria, uma vez que tais informações podem servir de base para que uma forma diferente e mais agressiva de tratamento seja instituída”, diz Ellen Paiva.

IMC – Índice de Massa Corporal
Esse índice é um pouco mais específico do que o peso por si só, pois relaciona o peso com a altura. Pode ser calculado dividindo o valor do peso em kg pela altura em metros ao quadrado. IMC = P (kg)/ Altura(m)² .

“O resultado do IMC permite definir e separar o sobrepeso da obesidade, além de fornecer também a informação do peso a partir do qual podemos suspeitar de desnutrição, ou quando a magreza passa a arriscar a saúde. Dessa forma, a obesidade passou a ter uma definição matemática e a magreza excessiva também”, explica a endocrinologista.

Os valores são os seguintes:

IMC normal = 18,5 a 24,9kg/m²

Sobrepeso = 25 a 29,9kg/m ²

Obesidade = 30 a 39,9kg/m²

Obesidade Mórbida ≥ 40kg/m²

Baixo Peso ≤ 18kg/m²

Apesar de informar melhor a respeito da normalidade ou não do peso corporal, esse método é ainda impreciso, uma vez que não diferencia a gordura ou a massa magra, quando utiliza o peso corporal em seu cálculo.

Circunferência Abdominal (CA)
Atualmente, a fita métrica passou a ser ferramenta essencial em nosso exame clínico, pois a medida da CA vem mostrando ser um índice ainda mais fiel para o risco de doenças intimamente associadas à obesidade, como hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio e diabetes. “Nesse sentido, a obesidade do tipo ‘maçã’, aquela que confere um aspecto de tonel ao corpo, com braços e pernas desproporcionalmente magros para um determinado tronco confere um risco muito maior a um quadro de obesidade”, observa a diretora do Citen.

Medimos a CA ao nível da cicatriz umbilical, ou ao nível da cintura propriamente dita. Consideramos elevada a CA maior do que 80cm nas mulheres e 90cm nos homens brasileiros. “Acima desses valores, encontramos os quadros da chamada Síndrome Metabólica, estreitamente ligada à resistência à ação da insulina e o pré-diabetes e o diabetes propriamente ditos”, diz a médica.

Dobras ou Pregas Cutâneas
“Através de instrumentos chamados plicômetros ou adipômetros, medimos a gordura subcutânea. As medidas realizadas com esses aparelhos são úteis quando o IMC é abaixo de 30mg/m². Nos pacientes obesos, ou seja, quando o IMC é maior do que 30, essa medida se torna muito pouco precisa”, afirma Ellen Paiva.

Bioimpedância (BIA)
Esse método é muito utilizado em academias de ginástica, clínicas médicas e hospitais. Quando realizado com um bom preparo do paciente, ele nos dá a medida da proporção da gordura corporal e de massa magra. Dentro da massa magra ainda podemos saber o volume de água corporal. “Para que tenhamos medidas precisas, o paciente deve estar bem hidratado, evitar diuréticos e bebidas alcoólicas e alimentos com cafeína 24 horas antes do exame (café, chá preto, chocolates), pois estes causam diurese e subestimam a massa magra. Mulheres não devem fazer o exame na fase pré menstrual, pois há retenção hídrica, o que superestima a massa magra”, explica a endocrinologista.

Esse exame pode nos revelar o quanto é enganosa a perda de peso com relação à gordura. “Geralmente, em dietas balanceadas e com perdas de peso lentas, um pessoa perde cerca de 50 a 70% de gordura e de 30 a 50% de massa magra, principalmente água corporal. Nas perdas de peso rápidas, em dietas desbalanceadas, como nas dietas à base de proteínas, como a do Dr Atkins, a perda de massa magra é ainda maior, geralmente mais que 50% do peso perdido. Isso significa que a cada 10kg perdidos, mais de 5kg se refere à massa magra, ou seja, a perda de peso se dá principalmente por desidratação e não por perda de gordura”, explica Ellen Paiva.

A BIA também é muito menos precisa em pacientes obesos e com IMC ≥ 33kg/m². Além disso, quando há obesidade central, a precisão da BIA também é menor.

DEXA
O Dexa (dual energy x-ray absorptiometry, ou radioabsorciometria de feixes duplos) é um método de avaliação da composição corporal. “A quantidade de massa magra ou gorda do organismo é medida pelo densitômetro, que traduz para porcentagens as imagens obtidas por um tipo especial de raio x dos diferentes compartimentos do corpo: tecido ósseo, muscular, de gordura e fluidos. Essa técnica é largamente conhecida e utilizada para avaliar a densidade mineral óssea, a chamada densitometria óssea, e tem a mesma precisão para medir a massa de gordura corporal. Apesar disso, o método é muito oneroso, o que impede o seu uso na prática clínica”, diz a médica.

Ressonância Nuclear Magnética (RNM) e Tomografia Computadorizada (TC)
A RNM e TC são também muito precisas, mas muito pouco utilizadas por se tratarem de metodologia extremamente cara. Logo, elas não são utilizadas com esse objetivo, a não ser em pesquisa científica.

“Diante do que foi dito, ser pesado nem sempre significa estar gordo, ao passo que um peso normal pode esconder uma massa gorda muito acima do normal. Perder peso também nem sempre significa perder gordura. O processo de emagrecimento deve ser acompanhado de exames que forneçam informações a cerca da percentagem de gordura perdida, para que as oscilações de água corporal não sejam encaradas como ganho da gordura perdida, quando o paciente está apenas se reidratando, após intensiva perda hídrica”, explica a endocrinologista.