UFSCAR oferece tratamento para incontinência urinária

Pesquisa desenvolvida no Laboratório de Avaliação e Intervenção Fisioterapêutica sobre a Saúde da Mulher, vinculado ao Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal de São Carlos (DFisio/UFSCar), avalia métodos mais eficazes para o tratamento da incontinência urinária, a partir de tratamentos fisioterapêuticos. Os estudos são desenvolvidos pelas alunas do Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia da UFSCar Vanessa Pereira e Grasiéla Correia, sob orientação da docente Patricia Driusso, do DFisio.

Como explica Vanessa Pereira, é possível tratar a incontinência urinária a partir de exercícios na musculatura do assoalho pélvico, um grupo de músculos que sustenta a parte baixa do abdômen. “A fisioterapia apresenta resultados vantajosos em relação ao tratamento medicamentoso e cirúrgico, por ser conservadora, pouco invasiva, apresentar baixo índice de efeitos colaterais e custo reduzido”, afirma.

A incontinência urinária é a perda involuntária de urina da bexiga e atualmente apresenta uma prevalência que varia entre 10 e 40% entre as mulheres em todo o mundo. Esse índice é ainda superior em mulheres idosas, atingindo de 30 a 60% desta população, sendo considerada um problema de saúde pública.

Apesar da grande ocorrência, Vanessa Pereira conta que poucas mulheres procuram por tratamento. “Temos dificuldades em localizar pacientes para realizar os tratamentos, uma vez que, apesar do grande número de mulheres acometidas, poucas procuram tratamento, seja por vergonha ou falta de informação”, afirma.

O Laboratório de Avaliação e Intervenção Fisioterapêutica sobre a Saúde da Mulher e a Unidade Saúde-Escola da UFSCar oferecem tratamentos para a incontinência urinária. As mulheres podem entrar em contato com o Laboratório para exames e avaliação. A partir desses estudos, será encaminhado o tratamento mais adequado para o quadro de cada paciente.

Interessadas podem entrar em contato pelo telefone (16) 3351-9575.

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Mulheres sofrem mais com doenças do trato urinário

sala-de-esperaDoenças do trato urinário atingem mais mulheres do que homens, mas na hora de procurar assistência poucas sabem que o urologista é o especialista indicado. “No Brasil, ele ainda é erroneamente associado ao médico que cuida do aparelho reprodutor masculino, como é o ginecologista para a mulher. Na verdade, cabe ao especialista tratar de todos os órgãos que compõem o trato urinário, seja em homens ou mulheres”, explica o urologista Gustavo Korst, do Hospital Dr. JK, em Brasília.

O urologista Wantuil Marques relata que não é incomum que pacientes do sexo masculino perguntem se ele atua em outra área, visto que por vezes há mulheres na sala de espera. “Essa desinformação sobre a abrangência da especialidade alcança não só os leigos, mas os próprios profissionais de saúde. Nunca é demais destacar que rins, ureteres e bexiga também estão no escopo da especialidade, que é clínica e cirúrgica”, comenta.

A incontinência urinária, por exemplo, é uma das doenças urológicas que mais atinge mulheres. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, cerca de 20% da população feminina brasileira apresenta o distúrbio, que é caracterizado pela perda involuntária da urina. “Os principais fatores de risco são idade avançada, obesidade e partos por via vaginal”, explica Dr. Gustavo.

Já as infecções bacterianas do trato urinário inferior chegam a ser até 20 vezes mais freqüentes na mulher, especialmente naquelas com vida sexual ativa. “Há ainda alterações que são exclusivas delas – como a obstrução dos ureteres pelo útero grávido e a endometriose da bexiga”, complementa Dr. Wantuil.

A falta de informação pode causar demora no diagnóstico de diferentes patologias. Esse atraso agrava infecções, além de piorar problemas como a obstrução do sistema de drenagem da urina – o que em casos mais graves ocasiona até a perda de um rim.

Usualmente, elas buscam o ginecologista primeiro. Esse especialista assiste os problemas mais simples, mas costuma encaminhar ao urologista para investigação e diagnóstico. “A urologia mundial está tão atenta à questão que, nos últimos 20 anos, tem atuado no desenvolvimento de uma sub-especialidade, a Uroginecologia. Com isso, estamos cada vez mais preparados para lidar com aspectos fisiológicos do organismo feminino, inclusive durante a gravidez”, conclui Dr. Wantuil.

Incontinência urinária também afeta a sexualidade

A incontinência urinária pode ocorrer tanto em homens quanto em mulheres e várias podem ser suas causas, inclusive o envelhecimento. Porém, a perda involuntária de urina não é normal em nenhuma idade e nem é um problema exclusivo do envelhecimento, podendo ocorrer em pessoas jovens e de meia-idade também. A prevalência é maior nas mulheres por conta de fatores anatômicos.

Como conseqüências desta afecção temos problemas de higiene e também sociais. A incontinência urinária leva a uma grave queda na qualidade de vida e na auto-estima do paciente, causando medo de sair de casa, o que força muitas pessoas com a disfunção a um isolamento social.

Um estudo realizado pela Unicamp com 164 mulheres com queixa de incontinência urinária levantou as principais restrições causadas pelo problema e cerca de 40% das pacientes entrevistadas relataram alterações na atividade sexuais.

Esta alteração é causada pelo medo de perder urina durante a relação sexual, ou receio de que o parceiro sinta o odor de urina nas roupas intimas. Isso acarreta uma diminuição da atividade sexual e a hábitos excessivos de higiene antes da relação, para evitar incômodos perante seus companheiros e, assim, esconder o problema.

“Como a incontinência é um problema omitido pela mulher, ela evita as relações para não se expor e isto leva o parceiro a interpretar como desinteresse, falta de atração. Afinal ele não sabe que há uma patologia por trás desta postura”, explica o urologista Dr. José Carlos Truzzi.

A incontinência urinária continua sendo um tabu entre as mulheres e poucas buscam orientação médica sobre a doença. Além da vergonha de assumir o problema, muitas recorrem ao especialista errado e não a um urologista, médico especializado em doenças do aparelho urinário tanto de homens quanto de mulheres. “Procurar um médico é sempre a melhor saída. Tratar a doença sem preconceitos e de forma adequada ajuda a devolver a qualidade de vida ao paciente”, acrescenta o Dr. Truzzi.

Diagnóstico e tratamento
O primeiro passo para se chegar a um diagnóstico exato da causa da incontinência urinária é a caracterização da história da paciente e um exame físico bem feito. Também podem ser solicitados exames complementares de laboratório, ultrasonografia e estudo urodinâmico.

Diagnosticada a doença, o tratamento da incontinência urinária dependerá da causa do problema, sendo que boa parte dos pacientes melhoram com orientações e tratamento medicamentoso. O tratamento cirúrgico é indicado para aqueles que ainda assim apresentarem os sintomas.

Para a incontinência urinária causada pela Bexiga Hiperativa, que ocorre em cerca de 20% da população, uma alternativa é a aplicação de Botox (Toxina Botulínica Tipo A). O medicamento é aplicado diretamente na parede da bexiga, relaxando a musculatura e impedindo as contrações involuntárias que causam a perda de urina. Assim, o paciente pode retornar às suas atividades diárias.

“Mais do que simplesmente resolver o problema da incontinência, há uma grande satisfação do médico ao ver restabelecida a qualidade de vida destes pacientes”, conclui o Dr. Truzzi.

Site
Com o objetivo de difundir informações sobre este e outros problemas urinários, a disciplina de Urologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) lançou o site www.disfuncaomiccional.med.br.

Voltado para médicos e pacientes, o site aborda informações sobre as disfunções miccionais, como incontinência urinária, bexiga hiperativa, cistites, infecções urinárias, entre outras, em mulheres, homens, idosos e crianças.