Lipoaspiração deve ser encarada com seriedade

barriguinhaQuase sempre, quando ocorre alguma morte durante a lipoaspiração, é comum perguntar se que a cirurgia foi realizada em clínicas com condições de realizar o procedimento, se médico tinha qualificações e se a cirurgia é perigosa. “Costumo dizer que a cirurgia plástica é coisa séria. Os procedimentos de todas as cirurgias são minuciosos, envolvem riscos e precisam ser encarados de maneira profissional pelo médico e cautelosa pelo paciente”, diz Alexandre Piassi Passos, cirurgião plástico.

Dr. Passos dá alguns conselhos para quem procura uma lipoaspiração ou qualquer outra cirurgia:

– O paciente precisa confiar plenamente em seu médico. Para isso, é preciso saber se ele é membro ativo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), quais foram a universidade e a residência que cursou e, caso seja possível, é bom também recorrer à própria SBPC para buscar referências do médico.

– No Brasil e na Europa, qualquer médico pode fazer a lipoaspiração. Infelizmente, não é preciso ser cirurgião plástico e, muitas vezes, o procedimento é realizado por médicos de outras áreas. É preciso, portanto, tomar cuidado com as diversas propagandas na mídia e as facilidades dos planos de pagamento. O ideal é pedir a indicação a um médico de confiança (cardiologista, ginecologista, clínico geral, etc.), ou mesmo a alguém que tenha feito o procedimento.

– Qualquer cirurgia oferece riscos. Portanto, todas elas devem ser realizadas em hospitais preparados com UTI e equipes de plantão. Dessa maneira, pode-se evitar o óbito em diversos casos.

– Outro cuidado imprescindível tem de ser tomado tanto pela equipe médica quanto pelo paciente. Recentemente, a imprensa também noticiou a suspensão de uma série de procedimentos cirúrgicos de lipoaspiração e lipoenxertia em Vitória, capital do Espírito Santo. A decisão veio da Secretaria de Saúde do Estado e deu-se por conta da contaminação de pacientes por microbactéria da família da Tuberculose, chamada cientificamente de Mycobacterium abscessus do tipo 1.

Apesar de ser uma decisão regional, é importante alertar que as contaminações podem ocorrer em qualquer procedimento no qual os equipamentos cirúrgicos não sejam devidamente higienizados e esterilizados.

Essa bactéria pode trazer riscos irreversíveis à saúde e as cânulas ainda podem trazer outros problemas caso não sejam esterilizadas corretamente. Portanto, não custa nada ao paciente questionar e mostrar interesse por todos os procedimentos que serão realizados em sua cirurgia.

Sobre a lipoaspiração
A lipoaspiração é uma das cirurgias plásticas mais procuradas do mundo. No Brasil, está em primeiro lugar dentre os demais procedimentos. Segundo Dr. Piassi Passos, desde a sua invenção, em 1978, pelo médico francês Yves Gerard Illouz, a maior novidade foi a redução do diâmetro das cânulas, que na época chegava a 12 mm, e hoje é de apenas 5 mm. “Isso reduziu o risco de irregularidades e imperfeições simétricas e melhorou o pós-operatório”, comenta.

Passos contesta reportagens e peças de publicidade que divulgam “novas” técnicas. Ele cita a lipoaspiração precedida de um laser: “A idéia é que o laser entre na pessoa, agrida as células gordurosas e assim facilite a entrada da cânula. É interessante, porém pouco eficaz e ainda não tem comprovação de resultados”.

Outra técnica divulgada pelos meios de comunicação é o Ultra-Shape. Trata-se de um Ultra-Som Extra-Corpóreo, que promete dissolver a gordura sem cirurgia. “Esta e outras técnicas estão sendo estudadas e estão ainda em fase experimental”, alerta. “Elas não têm a indicação clínica de uma lipo convencional, que até hoje não encontrou procedimentos substitutos”.

O cirurgião plástico ressalta que a única técnica realmente nova atualmente utilizada é a Vibrolipoaspiração. “Nessa, a cânula é acoplada a um sistema de vibração. A única diferença do procedimento convencional é que um aparelho facilita os movimentos que o médico faz para aspirar a gordura. Ainda não adotei a técnica, mas não descarto a possibilidade de incluí-la no rol dos procedimentos”.

Passos cita, ainda, uma técnica que foi usada no Brasil durante um período, mas que não mostrou diferença de resultados. Trata-se da Lipo Ultra-Sônica, na qual utilizava-se o ultra-som para destruir a gordura, antes da intervenção. “Na realidade, chegou a causar complicações graves que não ocorrem na lipo convencional, como queimaduras e até necrose”.

Ainda hoje, a lipoaspiração é a prática clínica que mais complicações pode causar do ponto de vista do resultado. Por isso, o médico deve saber o que pode oferecer para o paciente.

Passos reforça que a lipoaspiração nunca tem indicação de emagrecimento, mas sim de promover um contorno corporal. Só deve ser feita nos seguintes casos:

>> Em pessoas magras com leve sobrepeso e gordura localizada – quando o resultado, com raras exceções, é totalmente satisfatório;
>> Em pacientes com sobrepeso maior e sem contorno corporal nenhum, que precisam de um estímulo para começar uma dieta ou praticar exercícios. “Nesses casos, a intervenção servirá como um pontapé para que ele se anime a mudar os hábitos de vida e emagrecer”, observa.

“Tirar gordura” não é difícil do ponto de vista mecânico, mas o importante é o médico ter noção técnica e artística: “Quanto mais gordura se tira, mais sangue sai e o risco aumenta. É preciso tirar essa gordura de forma adequada, e somente no lugar certo”.

Passos ressalta que é relativo o número de litros retirados: “O certo é tirar o necessário para dar o contorno adequado. Não importa o volume, e sim o resultado. Um eventual exagero pode deixar a pele irregular, com buracos, ondulações e nódulos. E o tratamento desses casos é extremamente difícil”.

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As regras são claras para plástica no pós-parto

mulher - praiaTer o corpo de antes da gestação, e quem sabe melhor, é o desejo da maior parte das mulheres. Para aquelas que tem na genética uma aliada e que levam a sério as orientações nutricionais durante a gravidez – em especial a de engordar 1 quilo por mês, a recuperação da silhueta ocorre em um período de 3 a 6 meses, especialmente quando amamentam.

Mas, para a maioria, o processo pode ser um pouco mais longo. “E comum receber pacientes que desejam lançar mão da plástica pouco tempo após o parto. Ocorre que nessa fase o corpo passa por importantes transformações hormonais e adaptações orgânicas”, explica Dr. Wandler de Pádua, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

O especialista é emblemático: a cirurgia deve ser realizada, no mínimo, entre 8 e 12 meses do nascimento do bebê, mesmo assim, se a paciente já estiver dentro de um peso próximo do ideal. “Vale sempre lembrar que plástica não é recurso para emagrecimento, mas sim, para propiciar maior harmonia estética”, comenta o médico. “E mais: a demanda deve partir sempre da própria paciente e não, de terceiros, como companheiro ou amigas”, complementa.

Entre os procedimentos mais procurados no pós-parto está a correção da mama, que pode apresentar flacidez por conta do grande aumento e diminuição de tamanho em um curto espaço de tempo. Além de corrigir a incômoda sensação de “queda”, os cirurgiões recebem com freqüência mulheres que querem realizar implante de silicone após experimentar volume maior dos seios. Esse é o caso da apresentadora Xuxa e de várias outras celebridades. “A plástica de mama deverá ser realizada aproximadamente 3 meses após o termino da amamentação”, esclarece o médico.

No quesito abdome, as gordurinhas localizadas podem ser enxugadas com a lipoaspiração. Já a flacidez, demanda a abdominoplastia – seja a versão clássica ou a chamada “mini”. Dr. Wandler ressalta que ao optar por qualquer procedimento, a paciente deve estar preparada também para o período pós-cirúrgico. “Em alguns casos, ela vai necessitar de repouso e cuidados especiais, como drenagem linfática. Uma cirurgia de mama, por exemplo, pede de 6 a 8 semanas sem levantar peso. Com um bebê em casa, isso pode ser um desafio”, explica.

Na prática do dia-a-dia, o médico faz sempre questão de ressaltar que embora a imagem pessoal seja importante para o bem-estar da mulher, ela deve vivenciar intensamente os primeiros meses de vida da criança. “Mãe e bebê necessitam de convivência, interação e trocas – aspectos fundamentais para a saúde de ambos. Por vezes é melhor aguardar um pouco mais para cirurgia plástica”, aconselha.