Como decifrar o peso corporal?

garota-na-balancaO peso corporal é a forma mais prática de medir a gordura corporal. Entretanto, quando nos pesamos, estamos aferindo um valor que soma massa muscular, ossos, água corporal e a tão odiada gordura corporal. “Portanto, podemos estar pesados, sem estar gordos. Ou ainda, podemos estar festejando um peso que aparentemente está próximo do normal, mas que pode conter um excesso de gordura corporal em detrimento da chamada massa magra”, diz a endocrinologista Ellen Simone Paiva, diretora do Citen, Centro Integrado de Terapia Nutricional.

Na tentativa de aferir melhor a composição corporal, desenvolvemos várias técnicas para medir de maneira mais acurada o excesso ou a adequação da gordura corporal. “Essa obsessão pela medida exata da gordura se deve aos riscos de doenças sabidamente proporcionais ao excesso de gordura corporal, tornando muito mais preocupante um excesso de peso à base de gordura do que um excesso provocado pela massa muscular desenvolvida”, explica a médica.

Além da má fama da gordura corporal, há ainda as alterações na sua distribuição, fazendo com que obesos com localização central ou abdominal da gordura sejam de muito maior risco cardiovascular e metabólico do que os obesos que apresentam uma gordura bem distribuída, por todo o corpo. “Logo, faz-se necessário aferir também essa forma de depósito de gordura tão deletéria, uma vez que tais informações podem servir de base para que uma forma diferente e mais agressiva de tratamento seja instituída”, diz Ellen Paiva.

IMC – Índice de Massa Corporal
Esse índice é um pouco mais específico do que o peso por si só, pois relaciona o peso com a altura. Pode ser calculado dividindo o valor do peso em kg pela altura em metros ao quadrado. IMC = P (kg)/ Altura(m)² .

“O resultado do IMC permite definir e separar o sobrepeso da obesidade, além de fornecer também a informação do peso a partir do qual podemos suspeitar de desnutrição, ou quando a magreza passa a arriscar a saúde. Dessa forma, a obesidade passou a ter uma definição matemática e a magreza excessiva também”, explica a endocrinologista.

Os valores são os seguintes:

IMC normal = 18,5 a 24,9kg/m²

Sobrepeso = 25 a 29,9kg/m ²

Obesidade = 30 a 39,9kg/m²

Obesidade Mórbida ≥ 40kg/m²

Baixo Peso ≤ 18kg/m²

Apesar de informar melhor a respeito da normalidade ou não do peso corporal, esse método é ainda impreciso, uma vez que não diferencia a gordura ou a massa magra, quando utiliza o peso corporal em seu cálculo.

Circunferência Abdominal (CA)
Atualmente, a fita métrica passou a ser ferramenta essencial em nosso exame clínico, pois a medida da CA vem mostrando ser um índice ainda mais fiel para o risco de doenças intimamente associadas à obesidade, como hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio e diabetes. “Nesse sentido, a obesidade do tipo ‘maçã’, aquela que confere um aspecto de tonel ao corpo, com braços e pernas desproporcionalmente magros para um determinado tronco confere um risco muito maior a um quadro de obesidade”, observa a diretora do Citen.

Medimos a CA ao nível da cicatriz umbilical, ou ao nível da cintura propriamente dita. Consideramos elevada a CA maior do que 80cm nas mulheres e 90cm nos homens brasileiros. “Acima desses valores, encontramos os quadros da chamada Síndrome Metabólica, estreitamente ligada à resistência à ação da insulina e o pré-diabetes e o diabetes propriamente ditos”, diz a médica.

Dobras ou Pregas Cutâneas
“Através de instrumentos chamados plicômetros ou adipômetros, medimos a gordura subcutânea. As medidas realizadas com esses aparelhos são úteis quando o IMC é abaixo de 30mg/m². Nos pacientes obesos, ou seja, quando o IMC é maior do que 30, essa medida se torna muito pouco precisa”, afirma Ellen Paiva.

Bioimpedância (BIA)
Esse método é muito utilizado em academias de ginástica, clínicas médicas e hospitais. Quando realizado com um bom preparo do paciente, ele nos dá a medida da proporção da gordura corporal e de massa magra. Dentro da massa magra ainda podemos saber o volume de água corporal. “Para que tenhamos medidas precisas, o paciente deve estar bem hidratado, evitar diuréticos e bebidas alcoólicas e alimentos com cafeína 24 horas antes do exame (café, chá preto, chocolates), pois estes causam diurese e subestimam a massa magra. Mulheres não devem fazer o exame na fase pré menstrual, pois há retenção hídrica, o que superestima a massa magra”, explica a endocrinologista.

Esse exame pode nos revelar o quanto é enganosa a perda de peso com relação à gordura. “Geralmente, em dietas balanceadas e com perdas de peso lentas, um pessoa perde cerca de 50 a 70% de gordura e de 30 a 50% de massa magra, principalmente água corporal. Nas perdas de peso rápidas, em dietas desbalanceadas, como nas dietas à base de proteínas, como a do Dr Atkins, a perda de massa magra é ainda maior, geralmente mais que 50% do peso perdido. Isso significa que a cada 10kg perdidos, mais de 5kg se refere à massa magra, ou seja, a perda de peso se dá principalmente por desidratação e não por perda de gordura”, explica Ellen Paiva.

A BIA também é muito menos precisa em pacientes obesos e com IMC ≥ 33kg/m². Além disso, quando há obesidade central, a precisão da BIA também é menor.

DEXA
O Dexa (dual energy x-ray absorptiometry, ou radioabsorciometria de feixes duplos) é um método de avaliação da composição corporal. “A quantidade de massa magra ou gorda do organismo é medida pelo densitômetro, que traduz para porcentagens as imagens obtidas por um tipo especial de raio x dos diferentes compartimentos do corpo: tecido ósseo, muscular, de gordura e fluidos. Essa técnica é largamente conhecida e utilizada para avaliar a densidade mineral óssea, a chamada densitometria óssea, e tem a mesma precisão para medir a massa de gordura corporal. Apesar disso, o método é muito oneroso, o que impede o seu uso na prática clínica”, diz a médica.

Ressonância Nuclear Magnética (RNM) e Tomografia Computadorizada (TC)
A RNM e TC são também muito precisas, mas muito pouco utilizadas por se tratarem de metodologia extremamente cara. Logo, elas não são utilizadas com esse objetivo, a não ser em pesquisa científica.

“Diante do que foi dito, ser pesado nem sempre significa estar gordo, ao passo que um peso normal pode esconder uma massa gorda muito acima do normal. Perder peso também nem sempre significa perder gordura. O processo de emagrecimento deve ser acompanhado de exames que forneçam informações a cerca da percentagem de gordura perdida, para que as oscilações de água corporal não sejam encaradas como ganho da gordura perdida, quando o paciente está apenas se reidratando, após intensiva perda hídrica”, explica a endocrinologista.

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Distúrbios alimentares atingem 10 mulheres para cada homem

disturbioOs distúrbios alimentares, como anorexia e bulimia, já são a terceira doença crônica mais comum entre adolescentes, atrás apenas da obesidade e da asma. Estudos de universidades internacionais prevêem que cerca de 2% da população sofra com esse tipo de problema, em mesma proporção entre homens e mulheres até a puberdade, e depois, com predomínio feminino, de 10 mulheres para um homem.

“O distúrbio geralmente se inicia na adolescência e se desenvolve pela exposição do adolescente a constantes situações de estresse. Não existe uma causa definida, mas sabe-se que existe uma interação entre fatores genéticos, psicossociais e sócio-culturais”, diz o endocrinologista do Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica/DASA, Dr. Frederico Marchisotti. Segundo o especialista, adolescentes são influenciados pelos colegas, pela mídia e pelo ambiente familiar no que tange a seus hábitos alimentares.

A anorexia é causada pela limitação da ingestão de alimentos devido à obsessão pela magreza e o medo patológico de ganhar peso. “O anoréxico mantém um peso corporal abaixo do normal mínimo para sua idade e altura e não acata a idéia de que está mais magro que o normal”, afirma o especialista. Já a bulimia é um distúrbio que tende a apresentar períodos em que se alimenta em excesso, muito mais do que a maioria das pessoas conseguiriam se alimentar em um determinado espaço de tempo, seguidos pelo sentimento de culpa, com a provocação de vômitos e ingestão de purgantes e diuréticos. “Um mesmo paciente pode apresentar fases de anorexia e fases de bulimia durante o transcorrer de sua doença”, explica.

O perfil do adolescente portador de distúrbio alimentar é de uma pessoa ativa, muitas vezes engajada em trabalhos voluntários, líder da turma, perfeccionista. Comportamento obscessivo-compulsivo e depressão também estão associados ao quadro. Abuso de álcool e drogas também são comuns.

O reconhecimento da anorexia pode ser feito através da observação de alguns comportamentos como o de reduzir a quantidade da refeição, “pular” refeições, desprezar a comida por debaixo da mesa, exercícios compulsivos, vômitos, medo exagerado de ganhar peso e baixa auto-estima. “A falta de menstruação nas meninas é também um sinal comum”, fala o endocrinologista. Já a queda da energia, baixo rendimento escolar e dificuldade de realizar exercícios sinalizam para quadro um pouco mais avançado da doença. Segundo Marchisotti, “o aspecto caquético do corpo é muitas vezes mascarado pelo uso de roupas largas. Cabelos finos e sem brilho, fraqueza, apatia e lentidão de raciocínio e movimentos também compõem o quadro”.

Como consequência, devido à nutrição inadequada, o adolescente com anorexia apresenta além do baixo peso, deficiência de crescimento e atraso no desenvolvimento da puberdade. O arrastar do quadro pode levar a um adulto baixo e com dificuldades de fertilidade. A falta de cálcio nesta idade pode levar a osteoporose no futuro, visto ser nesta época que os ossos adquirem seu pico de densidade mineral.

“A participação familiar é vital para a recuperação do paciente e a terapia familiar, para que os pais entendam como lidar com o filho portador de distúrbio alimentar, isso muitas vezes auxilia na obtenção de bons resultados. Não adianta tratar apenas o físico, é necessário também mudar a distorção psicológica de imagem corporal que o paciente apresenta em relação ao seu peso”, afirma o médico. Recorrências não são raras durante a adolescência, principalmente em situações de estresse, o que requer um monitoramento de longo prazo. Aproximadamente 40% dos anoréxicos se recuperam completamente, 35% melhoram bastante, mas continuam com alguma característica da doença, 20% sofrem de doença crônica e severa e 5% morrem.

Unifesp recruta adolescentes obesas para programa de tratamento

O Programa de Atividades para o Paciente Obeso (Papo), ligado ao Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente da Unifesp recruta vinte meninas entre 13 e 16 anos para participar de programação visando perder peso de modo seguro.Durante três dias por semana, as meninas vão realizar exercícios físicos, atividades de teatro e dança, além de receber acompanhamento psicológico e nutricional.

Segundo a nutricionista e coordenadora do Papo, Juliana Oliveira, no programa as voluntárias conhecem mais sobre obesidade, aprendem a perder peso com saúde e a como manter a forma após o término do programa.

As interessadas devem comparecer no dia 7 de março, às 10h, no Ambulatório do Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente, localizado à rua Botucatu, 715 – Vila Clementino, São Paulo (SP). Informações no tel: (11)5576-4360 ou (11) 8677-7199.

Unifesp recruta adolescentes obesas para tratamento

O Programa de Atividades para o Paciente Obeso (Papo), ligado ao Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente da Unifesp recruta vinte meninas entre 13 e 15 anos para participar de programação visando perder peso de modo seguro.

Durante três dias por semana, as meninas vão realizar exercícios físicos, atividades de teatro e dança, além de receber acompanhamento psicológico e nutricional.

Segundo a nutricionista e coordenadora do Papo, Juliana Oliveira, no programa as voluntárias conhecem mais sobre obesidade, aprendem a perder peso com saúde e a como manter a forma após o término do programa.

Interessadas podem se inscrever até o dia 20 de fevereiro, pelo telefone: (11)5576-4360 ou pelo e-mail: projetopapo@gmail.com.

Unifesp recruta adolescentes obesos para programa de intervenção

O Grupo de Estudos da Obesidade (GEO), do Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício (CEPE) da Unifesp, recruta adolescentes obesos, com idade entre 14 e 19 anos e disponibilidade de horário no período da tarde, para participar como voluntário do Programa de Intervenção Multidisciplinar em Obesidade.Os voluntários terão, gratuitamente, todos os exames clínicos e físicos previstos na terapia, incluindo consultas nutricionais, psicológicas e médicas, além de receberem atividades físicas personalizadas.

A terapia – que será realizada à rua Marselhesa, 535, Vila Clementino – tem duração de um ano, com início em fevereiro de 2009 e término em novembro do mesmo ano. O GEO não se responsabiliza pelos custos com transporte e alimentação dos voluntários.

Os interessados poderão entrar em contato no período de 3 de novembro a 20 de dezembro de 2008 e 15 de janeiro a 31 de janeiro de 2009 para pelo telefone (11) 5572-0177, para agendar uma entrevista de triagem. Falar com Priscila, June, Aline ou Fabíola.